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17 de ago. de 2019

A DEMARCAÇÃO CIENTÍFICA DA ASTROLOGIA


Escreveram-me pedindo melhor esclarecimento sobre o que quis dizer, em meu post Astrologia e a magia da mente, com a expressão “demarcação científica da Astrologia”. Como a questão pode ter ocorrido a mais de uma pessoa, pareceu-me melhor esclarecer em um texto mais detalhado, e não apenas por e-mail enviado em resposta, para que se possa enriquecer a cogitação a respeito do que propus.
O trecho mencionado de meu post era o seguinte:
“Parece-me bom, por essa razão, lembrar que o íntimo desejo, em muitos, de que o mundo seja, nem que em pouca medida, mágico ou encantado (inúmeros de nós somos, bem no fundo, românticos...), termina motivando-os a se manterem apegados à noção de energias dos astros, ou força das estrelas (que é o que sobrou após o sumiço da magia), e resistentes à busca de demarcação científica da Astrologia quando se poderia corroborá-la no que for possível ou refutá-la”.




Como se percebe, eu me referia tanto à resistência contra a corroboração ou refutação das afirmativas da Astrologia, quanto à explicação das causas, sejam metafísicas ou naturais, da efetividade da Astrologia.
Pois são objetivos distintos: 1) um, o mais simples, diz respeito a buscar comprovar empiricamente, por meio de experimentos controlados, que as afirmações da Astrologia são consistentes e verazes; 2) outro, o mais complexo, diz respeito a buscar entender e explicar as causas desta efetividade, isto é, buscar compreender e descrever o que atua na existência e faz com que a Astrologia funcione.
No decorrer do século XX muitos foram os filósofos do conhecimento que discutiram a demarcação científica, ou a forma de discernir entre ciência e pseudociência.
Em 2014 registrei em Por uma Filosofia da Astrologia:
“Grosso modo, são duas as vertentes epistemológicas sobre o que constitui o principal meio para desenvolver conhecimento: a) a racionalista, que defende o conceito de que a razão tem o papel definitivo, e que a Lógica e a precisão matemática são as verdadeiras garantidoras do conhecimento desenvolvido; e b) a empirista, que defende a noção de que a experiência objetiva é que deve deter o papel decisivo, sendo o resultado das observações e dos experimentos realizados o parâmetro estabelecedor do conhecimento.
Logo se vê que ambas têm limitações, razão pela qual é difícil estar seguro em adotar exclusivamente uma: como poderia um racionalista negar a importância categórica do resultado de uma experiência que independa de razão? Como poderia um empirista negar uma conclusão determinante que seja pura abstração e, não, fruto de experimento?”


Este é debate sem fim, já que nenhuma destas duas vertentes epistemológicas (e isto vale para outros modelos) é indiscutível e aplicável a todo e qualquer caso.
Mas recordo o que o pensador francês Edgar Morin afirmou em Ciência com consciência:
“A ciência é, e continua a ser, uma aventura. A verdade da ciência não está unicamente na capitalização das verdades adquiridas, na verificação das teorias conhecidas, mas no caráter aberto de aventura que permite, melhor dizendo, que hoje exige a contestação das suas próprias estruturas de pensamento. Talvez estejamos num momento crítico em que o próprio conceito de ciência se esteja modificando”.


Assim, para não desperdiçar esforço com a análise comparativa de múltiplos pontos de vista, já que meu objetivo não é avaliar os variados modelos epistemológicos que já foram formulados, à busca de definir o que é, ou não, ciência, e o que pretendo é ajudar a construir a possibilidade de que a Astrologia seja vista com interesse pelos campos de conhecimento científico, resumi na mesma obra:
“Entre várias definições possíveis, julgo que Ciência é todo conjunto de procedimentos lógicos e sistematizados de estudo, entendimento e descrição de fenômenos inanimados ou animados, e objetivos ou subjetivos, desenvolvidos de modo a propiciar a obtenção e organização de conhecimentos fidedignos sobre dada parcela da realidade, parcela esta que é o objeto de estudo, bem como a ampla divulgação de tais conhecimentos, para sua validação (se corroborados), replicação e ampliação posterior”.


Volto ao que disse. Metodologicamente, são objetivos distintos: 1) um, o mais simples, diz respeito a comprovar empiricamente, por meio de experimentos controlados, que as afirmações da Astrologia têm consistência factual; 2) outro, o mais complexo, diz respeito a entender e explicar as causas desta efetividade, isto é, o que é que atua na existência e faz, de fato, a Astrologia funcionar.
O segundo, muito mais complicado, exige a compreensão e aceitação de conhecimentos ainda em fase hipotética (embora haja inúmeros indícios), como o dos arquétipos e dos campos morfogênicos enquanto fatores naturais ordenadores mentais e extramentais, como discuto em Astrologia em diálogo com a Ciência e a Fé.
Ainda estarem em fase hipotética não é problema. Como exemplo histórico, lembro um aspecto da Teoria da Relatividade Geral. Albert Einstein publicou em 1911 a hipótese do curvamento da luz e somente em 1919, pela observação de um eclipse na cidade cearense de Sobral, comprovou-se que a luz se curva no espaço sob o efeito gravitacional de uma grande massa. Houve um intervalo de quase uma década entre a publicação da teoria e a comprovação experimental, e nem por isso a Física deixou de fazer importantes avanços, neste tempo todo, com base nos conceitos desenvolvidos por Einstein.
Então, dos dois objetivos, o que mais me interessa em prazo mais imediato, dada sua plausibilidade (desde que se queira fazer), é o primeiro: comprovar empiricamente, por meio de experimentos controlados, que as afirmações da Astrologia podem ser verdadeiras (digo podem, porque todo diagnóstico ou prognóstico pode ter erros na realização, sem que isto comprometa a credibilidade do método adotado).
Esta comprovação, desde que feita de modo consistente, poderá bastar para que campos de conhecimento científico olhem a Astrologia com interesse e venham a enriquecer um campo de ciências astrológicas desenvolvido por fecundação cruzada e, não, apenas, por adoção acrítica do que já se declarou, no decorrer dos séculos, sobre os significados próprios dos símbolos quando aplicados a um específico tipo de dado da realidade, seja coisa, evento ou pessoa.
Com tudo isto em vista estruturei minha participação na Astrológica 2019, a qual disponibilizo aqui para quem queira ver o material apresentado: Astrologia, um campo de conhecimentos científicos.
Começando pelo desagradável fato de que astrólogo, nos tempos políticos bicudos em que vivemos, veio sendo termo pejorativo, expondo de modo inequívoco o tipo de ideia preconcebida que sempre esteve latente em parcela importante da sociedade brasileira, convidei à reflexão: quando nós, astrólogos, nos disporemos a fazer algo que, deveras, fortaleça a boa imagem da Astrologia, em definitivo retirando-a do nicho de “ciências ocultas” ou de atividade própria de um “bando de místicos”?
Por que a mídia não se refere ao economista (Eduardo Cunha), ao advogado (Roberto Jefferson), ao veterinário (Onyx Lorenzoni), ao beletrista (Ernesto Araújo), ao contabilista (Marco Feliciano), ao engenheiro (Marcelo Odebrecht), à jornalista (Manuela D’Ávila) ou ao profissional de educação física (Jair Bolsonaro), mas invariavelmente se refere ao astrólogo ao mencionar Olavo de Carvalho, com isso insinuando pouca credibilidade ou até, mesmo, algum grau de insanidade mental?
Puro preconceito! Mas também porque pouco temos feito, nós, astrólogos, para conquistar espaço positivo para a Astrologia fora dos nossos próprios círculos.
A partir daí, o que apresentei focou na inadiável necessidade de realização de experimentos controlados que comprovem, além de qualquer dúvida razoável, a veracidade factual das afirmações diagnósticas e ou prognósticas da Astrologia, quando ela se exerce (de modo competente) pela interpretação dos seus símbolos polissêmicos e de modo adequado a cada tipo de objeto em estudo.
Dei como exemplar um pequenino experimento controlado objetivo que eu mesmo pude realizar em outubro de 2018 (que pode ser visto na apresentação) e fui adiante:
1) há necessidade de delimitar exatamente o que será mensurado, segundo o tipo de objeto de estudo (coisa, evento, pessoa), dada a existência de diferentes especialidades astrológicas, cada qual com seu típico objeto de estudo e seu específico “pacote” de significados dos símbolos (Clínica, Empresarial, Médica, Mundial, etc.);
2) há necessidade de abrir mão, de uma vez por todas, do insustentável pressuposto da existência de energias planetárias zodiacais causando (ou influindo sobre) o que ocorre na existência terrestre (seja coisa, evento ou pessoa);


3) há necessidade de restringir a mensuração às causas necessárias dos fenômenos em estudo, mesmo que não suficientes, na medida em que não há como aferir todas as causas simultaneamente atuantes em cada fenômeno complexo (seja coisa, evento ou pessoa), denotando ou prognosticando sua manifestação;
4) há necessidade de demonstrar que as afirmações da Astrologia não surgem de adivinhação e, sim, de dedução lógica elaborada sobre relações de coincidências verificadas entre padrões zodiacais e padrões terrestres (relações de coincidências, estas, que são o cerne dos manuais de interpretação tidos por válidos), independente do que atua para estabelecer e manter estáveis no tempo tais coincidências verificadas;


5) há necessidade de estabelecer com precisão o conjunto específico de significados dos símbolos segundo o tipo de objeto de estudo (seja coisa, evento ou pessoa), para ganho em precisão expressiva quando da atividade de interpretação (para diagnóstico e ou prognóstico).
Atendidas estas necessidades, será possível definir os melhores modos possíveis de demarcar a Astrologia por meio de experimentos controlados conformes ao tipo de objeto de estudo (coisa, evento ou pessoa).


Quanto à expressão “campo de conhecimentos científicos”, na apresentação sugeri por modelo o campo das Ciências Biológicas: tendo base em conhecimentos fundamentais como os da Biologia, Física e Química, e em preparos complementares conformes ao tipo de objeto em estudo (por exemplos: planta, ambiente, pessoa ou animal), as Ciências Biológicas se expressam em Botânica, Ecologia, Medicina, Veterinária e mais uma dezena de especializações relativas a diferentes objetos de estudo.
Assim também, tendo base em conhecimentos fundamentais sobre Signos, Planetas, Casas Astrológicas, Aspectos e Técnicas preditivas (Trânsitos, Direções e Revoluções), e em preparos complementares conformes ao tipo de objeto em estudo (o que orientará o conjunto de significados dos símbolos astrológicos, na interpretação, com acepções muito específicas para cada tipo de objeto de estudo), as Ciências Astrológicas poderão se expressar em especializações distintas como Astrologia Clínica (comportamento), Empresarial (negócios), Médica (corpo humano), Mundial (grupo social), etc., compondo um campo de conhecimentos astrológicos científicos (após a demarcação).
Dei como exemplo a Homeopatia: embora até hoje os métodos positivistas não consigam definir o que faz a Homeopatia funcionar, já que o modelo teórico do Vitalismo se contrapõe ao modelo teórico Biodinâmico, em 1980 a Homeopatia foi reconhecida no Brasil como prática médica auxiliar pelo CFM – Conselho Federal de Medicina e, em 1993, pelo CFF – Conselho Federal de Farmácia.


Reconhecimento que só foi possível graças à realização e documentação de experimentos controlados que comprovaram que, mesmo não se sabendo com alguma exatidão como ela atua (a teoria explicativa), a Homeopatia efetivamente funciona como técnica de cura (a demarcação comprobatória, por meio de experimentos de corroboração).
Nas etapas finais do meu percurso expositivo na Astrológica 2019, citei um conceito desafiador do biólogo britânico Rupert Sheldrake, ao referir-me aos campos morfogênicos, que integram o modelo teórico da Astrologia Arquetípica que vim desenvolvendo:
“Uma visão de paradigmas como campos morfogênicos nos ajuda a entender por que eles [os paradigmas] são tão fortemente conservadores, pois, uma vez que os paradigmas são estabelecidos, há um grande grupo social que contribui para a realidade consensual do paradigma [e resiste a novas ideias]. Uma ressonância mórfica muito poderosa é desenvolvida por este modo de fazer as coisas [mantendo hábitos], e é por isso que as mudanças de paradigma tendem a ser bastante raras e encontram forte resistência” (itálico meu).


Com esta menção, quis dar destaque a um dos principais desafios para a demarcação científica da Astrologia, tanto junto a pesquisadores de variados campos de conhecimento científico, quanto junto aos próprios astrólogos: em um lado, e também no outro, a resistência à adoção de novos paradigmas que a possibilidade de demarcar cientificamente a Astrologia requer, até mesmo naqueles que manifestem a intenção de ajudar a demarcá-la.
Pois um dia o economista britânico John Maynard Keynes definiu:
A elaboração de novas ideias depende da libertação das formas habituais de pensamento e expressão. A dificuldade não está nas novas ideias, mas em escapar das velhas, que se ramificam por todos os cantos da nossa mente”.



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