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7 de nov. de 2014

A ASTROLOGIA MUNDIAL DENOTA AMPLOS FATORES COLETIVOS

Uma das características mais fascinantes – e intrigantes – da Astrologia é o fato de ela poder, com a mesma simbólica, se aplicar a variadas esferas da realidade, conforme o foco do interesse e a interpretação dos símbolos.
Assim, entre outras possibilidades, ela auxilia no diagnóstico ou prognóstico em nível pessoal (Astrologia Clínica psicológica ou médica), de negócios (Astrologia Empresarial), de inter-relacionamentos pessoais (Astrologia Sinástrica), de tendências de eventos (Astrologia Horária) ou de dinâmicas em nível muito mais amplo, por meio da especialidade intitulada Astrologia Mundial, ou Coletiva.
Astrologia Arquetípica entrevistou, a este respeito, o astrólogo, escritor, editor e historiador Rui Sá Silva Barros*.



















AA - O que caracteriza (e diferencia) a Astrologia Mundial, ou Coletiva, no conjunto das variadas especialidades astrológicas?
Rui Barros: A Astrologia Mundial trata de entes coletivos ou jurídicos, como países, regiões e cidades. Pode estudar períodos da História política, econômica ou cultural. Para isso, Usa cartas natais, utiliza Trânsitos ou Progressões e considera ingressos solares e eclipses, como em geral se faz com Cartas natais pessoais. Atualmente a Astrologia Mundial lida com fenômenos bastante abrangentes, como a economia mundial e guerras generalizadas, e isto é um problema, pois muitas vezes não temos dados mais precisos para o levantamento dos Mapas e a boa definição dos eventos. Um exemplo recente: para compreender o que se passa na Ucrânia é preciso consultar as Cartas da Rússia, União Europeia e EUA, além da própria Ucrânia, é claro. O Índice Cíclico Planetário, de André Barbault, com base nos cinco Planetas lentos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão), oferece um indicativo razoável de momentos de crise, mas é insuficiente para discernirmos de qual crise se trata e exatamente onde vai ocorrer. A sinastria entre Mapas de países também é possível.

AA – As bases da Astrologia Mundial também vêm dos babilônios, como a Astrologia mais costumeira que conhecemos?
Rui Barros: Sim. Durante dois mil anos os mesopotâmicos anotaram os presságios astrológicos para guerras, meteorologia, ascensão e queda de reis. Davam grande importância à Lua, sua cor, luminosidade, halos e manchas. Não havia ainda um sistema de Casas astrológicas e o ciclo de Júpiter, de 12 anos, era acompanhado com detalhes. O primeiro Mapa individual foi feito perto do começo da Era cristã é já apresentava o Ascendente, mas, não, o Sistema de Casas. No site do Instituto Warburg, associado à Universidade de Londres, é possível encontrar muito material sobre o tema. A Astrologia que praticamos atualmente, com Elementos, Planetas regentes ou exaltados, Sistemas de Casas, etc, é uma herança grega e árabe. Na Antiguidade, a Astrologia era parte da Cosmologia, do saber dos mundos e da qualificação do tempo, e no Século VI antes de Cristo ela se tornou um saber especializado vendido em praça pública.

AA – O axioma convencional supõe que os diferentes corpos celestes influenciam, cada qual de uma maneira, o comportamento pessoal ou os eventos na vida de alguém. Como isto é visto na Astrologia Mundial, no tocante aos fenômenos na esfera coletiva?
Rui Barros: O problema é o mesmo para qualquer ramo da Astrologia. Eu pessoalmente não penso que gravidade ou eletromagnetismo expliquem o funcionamento da Astrologia; o problema é metafísico, isto é, além da Física. É uma questão que remete à constituição do ser humano e suas partes sutis, não sensoriais. Mas o tema é paradoxal, pois a localização espacial dos Planetas é essencial para a prática dos Trânsitos, o que nos remete a problemas espinhosos: por exemplo, como um Planeta pode em algum momento estimular uma configuração que já não existe no céu? Minhas pesquisas revelaram graus de determinação da Astrologia Mundial: ela é forte em Economia, média em Política, ou organização de conflitos, e fraca na avaliação da Cultura, que depende demais de iniciativas individuais. Quanto ao determinismo total, isto fica para os felizes portadores de TOC, que escolhem assassinar a dúvida!

AAA mais usual forma de utilização do saber astrológico é a orientada para diagnosticar ou prognosticar o comportamento de alguém e os eventos objetivos e subjetivos em sua vida. Neste sentido, pode ser dito que a Astrologia Mundial se orienta para compreender os movimentos de cada coletividade humana, como sob um “espírito do tempo”, ou zeitgeist?
Rui Barros: Temos aqui o tema das periodizações, e há várias registradas pela Historiografia, dependendo do assunto em tela. Em Astrologia podemos tomar um par de Planetas e acompanhar todo o ciclo entre uma Conjunção e a seguinte. Exemplificando, na Antiguidade, os astrólogos usaram muito o ciclo de 20 anos de Júpiter e Saturno, o mais longo, para eles, e notaram que a cada 200 anos as Conjunções entre estes Planetas caíam em Signos de um mesmo Elemento, Ar, Terra, Ar e Água, o que acaba formando um grande ciclo de 800 anos. Mas a Historiografia não conhece nenhuma periodização de 200 anos, do ponto de vista sociocultural, a não ser nos estilos arquitetônicos europeus: românico (terra), gótico (ar), renascentista (água) e barroco/clássico (fogo). Alguns tentam relacionar o ciclo de Júpiter e Saturno à história do capitalismo, mas eu acho isto desarrazoado. Estes Planetas se encontram há bilhões de anos e, de repente, produzem algo novo? Como com somente um par de Planetas não se faz muita coisa, esta afirmação soa bastante artificial.

AA – Como se inter-relacionam, na Astrologia Mundial, o que se sabe de um coletivo e de cada um de seus componentes? Digamos: um País e seus diferentes Estados?
Rui Barros: Os Municípios têm sua própria Carta natal, definida pelo que consideram ser as suas datas de fundação legal. No caso brasileiro, salvo exceções (Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Tocantins), a questão dos Estados é mais complicada, pois todos foram estabelecidos de uma só vez pela Constituição de 1891. O caso do Brasil é interessante, pois em alguns aspectos o Governo Federal é centralizador, mas há muito espaço para os governadores. Já os Municípios, vivem de pires na mão desde os tempos coloniais. A relação entre o Estado central (União) e os entes federados (Estados) pode ser pesquisada nas casas X e II do Mapa natal do país. Porque a Casa II? Ela é a quinta Casa a contar da Casa X, por derivação.


Rui Barros: Estamos vivendo uma fase crítica na vida humana e a Astrologia Mundial pode ser muito útil nesta conjuntura, ajudando a evitar o triunfo da barbárie.









AA – Os significados usuais das Casas astrológicas, em uma Carta natal, costumam se referir a identidade, valores, comunicação, lar infantil, filhos, etc. E na Astrologia Mundial, de modo resumido, como se estabelece a analogia das Casas?
Rui Barros: São os mesmos princípios e conceitos usados para os Mapas individuais, adaptados para os países. Numa pessoa, o Ascendente revela características do corpo e da aparência; então, num país isto se traduz pelo tamanho e características do território e população. A Casa II simboliza que recursos são usados na produção e sua magnitude (PIB). A Casa III denota a vizinhança (outros países), a comunicação, o ensino básico, a imprensa, o comércio varejista. E assim por diante. Tudo o que se refere ao Governo é visto a partir da Casa X, por derivação: assim, se a tendência à intensa centralização, no Brasil, é relacionada com a oposição entre Marte e Saturno na Carta natal brasileira, os recursos estão na Casa XI, que é a Casa II derivada da Casa X, os funcionários públicos são denotados na Casa III do Mapa natal, que é a sexta Casa a contar da Casa X, e assim por diante. Os manuais de Astrologia que tratam do assunto precisam ser atualizados, pois no mundo moderno e contemporâneo a divisão de trabalho criou inúmeras especializações de processos e instituições. Para maiores detalhes, sugiro a Introdução do livro A contente mãe gentil rumo ao bicentenário.

AA – Assim como na Astrologia voltada à Carta natal, na Astrologia Mundial trabalham-se também os Zodíacos Tropical e Sideral, que divergem entre si?
Rui Barros: No Ocidente trabalhamos com a Astrologia Tropical, mas eu costumo observar o deslocamento retrógrado do Ponto vernal para longos períodos e momentos de grande transformação. Por exemplo, a Revolução Industrial multiplicou a população humana e transformou o meio ambiente do planeta. Isto não pode se explicado somente pelo jogo planetário que se repete periodicamente, pois da repetição de um mesmo fato não pode sair coisa diferente. É consenso que a decolagem desta Revolução deu-se na década de 1780, época em que o Ponto vernal passou para o primeiro Decanato de Peixes e, agora, para a maioria dos astrólogos védicos, já está a 6 graus. Por estes cálculos, o triunfo do Cristianismo no Século IV, na época de Constantino, marca a passagem do Ponto vernal de Áries para Peixes. Já o acompanhamento dos desdobramentos da Revolução Industrial pode ser feito através dos Planetas: a conjunção de Urano e Netuno em 1821 marca a descoberta da indução eletromagnética, base de todos os nossos aparelhos atuais; a Conjunção de Netuno e Plutão, em 1891, marca a segunda fase da Revolução (petróleo, eletricidade, aço, química, máquinas etc.).

AA – É comum, em Astrologia Mundial, ouvir-se expressões como: “este país é regido por tal ou tal planeta”. Como se estipulam estas Dignidades, no caso de Regiões, Países, Estados ou Municípios?
Na Idade Média era comum atribuir-se um Signo para cada região ou reino, mas isto é uma simplificação total. No caso do Brasil, por exemplo, é preciso mencionar Aquário, Touro, Gêmeos, Virgem e Escorpião, além de Saturno, Mercúrio e Marte, para começar a soletrar características fundamentais. Verificamos, na Astrologia Mundial, uma tendência vinda da indústria do entretenimento, que é a de simplificar e nivelar por baixo. Assim, nas eleições ainda levantam Mapas de candidatos como se isto fosse uma corrida entre pessoas! É claro que não, há fatores coletivos em jogo e que podem ser seguidos no Mapa natal do país.  Falta uma metodologia de verificação, do que resulta uma proliferação de “eu acho”, originando uma cacofonia. Estamos vivendo uma fase crítica na vida humana e a Astrologia Mundial pode ser muito útil nesta conjuntura, ajudando a evitar o triunfo da barbárie.

____________________________ 
* Rui Sá Silva Barros publicou ‘O espelho partido’ (SP, Ágora, 1989). Defendeu a Dissertação de Mestrado “Tomando o céu de assalto. Esoterismo, Ciência e Sociedade” (USP, 1999) encontrável na biblioteca do site Clube do Tarô. Lançou, em coautoria com Ciça Bueno, “A contente mãe gentil rumo ao bicentenário. Volume 1: Império”, encontrável em www.clubedeautores.com.br  (2013). Escreve crônicas mensais no site www.clubedotaro.com.br



26 de out. de 2014

SIMPÓSIO INTERNACIONAL VISA APROXIMAR ASTROLOGIA, ASTRÓLOGOS E PESSOAS EM GERAL

Em março de 2015 ocorrerá em Portugal o 1º Simpósio Luso-brasileiro de Astrologia, a cargo da Aspas – Associação Portuguesa de Astrologia.
Para conhecer esta entidade, antecipar algo do evento e conversar sobre Astrologia, de um ponto de vista europeu e português, Astrologia Arquetípica entrevistou Isabel Guimarães, astróloga fundadora e Presidente da Aspas.


     AA: Pode nos contar um pouco de como foi a implantação da Aspas, do ponto de vista da participação engajada e ativa de astrólogos portugueses?
Isabel Guimarães: A criação de uma associação de Astrologia era uma ideia minha desde os tempos de estudante. A essa altura havia poucas escolas de Astrologia em Portugal e os astrólogos atuavam de forma muito mais isolada, sem os atuais intercâmbios de conhecimento. Não havia oportunidades de partilharmos saberes por meio de uma organização que funcionasse como ponto de convergência e encontro. Quando a poucos anos estive no Brasil, conheci a forma como as organizações relacionadas com a Astrologia se tinham estruturado em seu país e isso fez-me ainda mais desejar criar esta associação em Portugal. Os estudantes precisam de mais apoio em sua formação e há necessidade de clarificar e divulgar a Astrologia junto ao público, a Astrologia de qualidade que se pratica em Portugal. Assim, com o apoio inestimável de vários astrólogos e entidades, fundamos a 22 de dezembro de 2012, e inauguramos em 24 de março de 2013, a Aspas – Associação Portuguesa de Astrologia, uma associação com sede em Vila Nova de Gaia e sem fins lucrativos. Todos os que aqui trabalham fazem-no por uma causa que consideram valer a pena: “juntos, fazemos a diferença”.

AA: Qual é o principal propósito da Aspas? Que grau de abrangência (geográfica e quanto a especialidades astrológicas) ela pretende ter?
Isabel Guimarães: O grande objetivo é credibilizar a atividade astrológica no nosso país. Com esse objetivo, disponibilizamo-nos para dizer o que realmente é a Astrologia e como se faz, e para dignificá-la, desmistificando velhas concepções e “limpando” sua imagem, para que o público a compreenda e perceba que ela é um estudo profundo. Para que esta realidade aconteça, procuramos incentivar a relação de proximidade entre astrólogos, estudantes de astrologia e o público geral, para que consigamos oferecer um serviço público de qualidade. Queremos também unificar saberes e partilhá-los. Nisto, é importante referir que somos uma associação de Astrologia e, não, desta ou daquela específica especialidade astrológica; assim, procuramos reunir todos os saberes, pois todos os ramos da Astrologia são válidos, isto é, todos os que colocam como central o ser humano e se dedicam à compreensão do lugar do ser humano no mundo em que vive. É claro que estão presentes os dois principais tipos de Astrologia, que são a Tradicional e a Contemporânea, porém é minha opinião que devemos respeitar a tradição, resgatar as origens e verificar a validade do que temos para oferecer e adaptar ao mundo em que vivemos. Nós aceitamos todo tipo de Astrologia que respeite as suas origens e esteja de acordo com o nosso Código de Ética e Deontologia profissional. Geograficamente, procuramos ter a maior abrangência possível, já que nossa Missão é a divulgação. O isolamento não é bom para a evolução do conhecimento, que precisa reconciliar diferenças. Esta aproximação de nacionalidades e tipos de Astrologia deve ser encarada como um processo natural e saudável, para uma melhor e mais atualizada Astrologia em língua portuguesa.

AA: Como a Aspas pretende cumprir sua Missão, de modo a bem atender a seu Propósito?
Isabel Guimarães: O nosso Código de Ética apresenta as diretrizes segundo as quais entendemos o que deve ser a boa prática astrológica. Quem se inscreve na Aspas deve concordar com estas diretrizes, pois elas servem como um conjunto de regras que alicerce nossa atividade e lhe atribua o máximo de profissionalismo, ajudando também o público a perceber aquilo que realmente fazemos, contribuindo, assim, para dar crédito à Astrologia. Muito desse esclarecimento do que é a Astrologia passa pelo próprio astrólogo e sua postura no decurso de uma consulta. Depois, quem se inscreve pode ser Membro Efetivo, que são aqueles que exercem a atividade, e Membro Estudante, que são os que ainda estão a estudar e não exercem profissionalmente a Astrologia. Aqui também se incluem os autodidatas, de acordo com a bibliografia selecionada. Daqui se percebe haver uma avaliação de cada inscrição. Também procuramos oferecer ao público, sob recomendação, os astrólogos dos quais reconhecemos a qualidade do seu profissionalismo, de modo a que o público opte com consciência e boa informação sobre a quem recorrer para uma determinada consulta ou um curso de formação em Astrologia, por exemplo.  Para conhecer nossos Valores, Princípios e Missão, bem como o Código de Ética e Deontologia profissional, sugiro consultar www.associacaoportuguesadeastrologia.com.

AA: Quais recursos de informação, formação e integração, a Aspas pretende pôr à disposição de seus associados?
Isabel Guimarães: Nós damos muito valor aos nossos membros. Acreditamos que uma associação não se faz sem a participação ativa deles, porque esta é a missão de todos e, por isso, procuramos também dignificá-los. Não podia deixar de referir igualmente que quem se inscreve na Aspas está de fato a fazer um investimento com toda a sua consciência. O que estamos a realizar, enquanto Associação, é a construção de um futuro em que a Astrologia poderá desempenhar um papel mais relevante na sociedade ao se adaptar, ela própria, às necessidades dos momentos atuais coletivos. Assim, a Aspas, em seus canais de comunicação – site, página de Facebook, blog, canal no YouTube, newsletter e mídia, como a Televisão Porto Canal e a Radio Telefonia, do Alentejo –, divulga o trabalho realizado por astrólogos profissionais, bem como artigos, consultas ou formações, que se tornam, assim, disponíveis ao conhecimento de um público mais vasto. Todos os nossos membros, incluindo os Membros Estudantes (os quais chamamos a participar deste projeto, pois eles serão o futuro da Astrologia), também podem enviar seus artigos para o nosso jornal astrológico “4 Estações”, a cargo da diretora editorial, Luíza Azancot. Sob avaliação, esses artigos são aprovados ou não, já que existem critérios de qualidade, bem como de atualidade de assuntos, que os tornam, num dado momento, mais pertinentes que outros. Nosso jornal é gratuito e todas as suas edições se encontram disponíveis em nosso site, contando com milhares de visualizações. Noutro âmbito, participamos de um programa de TV do Porto Canal, “Grandes Manhãs”, no qual temos a oportunidade de levar ao grande público a Missão da Aspas. Também organizamos diferentes “Encontros com Astrologia”, nome que damos a palestras realizadas por membros nas nossas instalações, ou eventos criados pelos membros noutros locais e apoiados pela Aspas. Cabe também mencionar a realização do 1º Simpósio Luso-Brasileiro de Astrologia, que será realizado em março de 2015, em que os nossos Membros Efetivos terão a oportunidade de divulgar o seu trabalho no contexto de um grande evento e conhecer astrólogos convidados.

AA: Em seu entender, de que imagem a Astrologia, como campo de conhecimento e como prática, desfruta nas sociedades europeias? E, mais particularmente, em Portugal? E em outros países da CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa?
Isabel Guimarães: Nas sociedades europeias há um certo ceticismo em relação à Astrologia, um ceticismo infundado que, apesar de se querer mostrar intelectualizado, de fato acaba por revelar as supersticiosas crenças que ainda alimentam, de geração em geração, a imagem do astrólogo como adivinho ou guru. No entanto, se tempos atrás a visão coletiva era marcadamente cética, cada vez mais nota-se que estamos a caminhar em direção a outra forma de estarmos no mundo, no qual, acredito, a Astrologia terá papel importante como ferramenta de orientação e aconselhamento ao desenvolvimento humano. É notório que noutros países europeus já se vê a Astrologia com uma dinâmica muito ativa na sociedade. No caso da Aspas e de Portugal, sentimos que, fruto dos esforços feitos desde a criação da Associação, vamos evoluindo para uma nova etapa. Este “bebê”, que já deixou de o ser, porque agora já fala e caminha num jeito muito “geminiano”, tem procurado desabrochar e interagir com o mundo que o rodeia, estabelecendo a oportunidade de se criarem pontes, nomeadamente e em particular com o Brasil, país onde reconhecemos que as entidades do meio astrológico têm uma posição consolidada, fruto de anos de experiência, com profissionais qualificados e publicações astrológicas regulares, como a CNA, o Sinarj, etc, primando pelas parcerias de apoio profissional.

AA: Qual é a importância de haver astrólogos das diversas nacionalidades da CPLP, na Aspas?
Isabel Guimarães: A Aspas é uma associação de Portugal, mas também, e acima de tudo, uma associação de língua portuguesa. Desde o inicio estabelecemos como nossa Missão criar ligações que nos permitissem a nós, enquanto astrólogos portugueses, aproximarmo-nos de todos aqueles com quem partilhamos a mesma língua, para intensificar o desenvolvimento da Astrologia. Neste contexto, reconhecemos o forte papel do Brasil, devido à forma como aí se conduziu o crescimento da Astrologia. Em Portugal, por nossa vez, temos uma realidade diferente; então, parece de todo importante e também estimulante incentivar essas partilhas, esse conhecimento produzido em conjunto, com aceitação das diferenças, pois só aprendemos ou inovamos com quem pense ou atue de forma diferente da nossa. Aceitamos criar estas pontes com várias nacionalidades em prol do conhecimento astrológico, para que este não seja exclusivista, mas, sim, esteja disponível a quem queira apropriar-se dele para uso correto.


O 1º Simpósio Luso-Brasileiro de Astrologia será realizado de 20 a 22 de março de 2015 em Lisboa, na FIL – Feira Internacional de Lisboa, espaço de algumas das maiores feiras temáticas em Portugal, e também na Sociedade de Geografia, para a abertura solene, com 43 congressistas responsáveis por palestras sobre Astrologia Transpessoal e Humanista, mais diretamente associadas ao autodesenvolvimento, assim como temas que relacionam a Astrologia a outras ciências e são, portanto, os reflexos do progresso registrado na área.

AA: Neste amplo cenário, que papel poderá ter o 1º Simpósio Luso-brasileiro de Astrologia?
Isabel Guimarães: Sabemos da importância deste tipo de evento como um centro multiplicador de conhecimento. É verdade que as evoluções tecnológicas nos incentivam a nos manter em contato uns com os outros, apesar das distâncias, o que é particularmente evidente pelos congressos online de Astrologia, aspectos que a Aspas também tenta explorar ao máximo, tendo iniciado webinários em 2013. Mas é indispensável haver eventos presenciais, já que a relação entre Astrologia e o público pode ser muito mais frutífera neste caso, por todo um tipo de comunicação que não é verbal e, sim, emocional-afetivo, o que torna estes eventos particularmente recompensadores para quem assiste. Depois, trata-se de ter num único local, Lisboa, vários dos mais notáveis astrólogos dos dois países, e trata-se igualmente de uma excelente oportunidade de prestar um serviço de esclarecimento público do que é a Astrologia e sua diversidade. Se as relações entre Portugal e o Brasil sempre foram privilegiadas no plano histórico, político e econômico, por que não fazê-la assim no mundo da Astrologia? A Astrologia já estava presente na altura dos Descobrimentos e este Simpósio surge no sentido de fazermos essa viagem de volta às raízes, de buscar as origens e criar pontes, estabelecer ligações, para que também no domínio da Astrologia as relações Portugal e Brasil possam proliferar, num período em que já não precisamos das caravelas para criar essas ligações, pois basta, agora, um simples clique, para estarmos todos sincronizados à distância. Portanto, gostaríamos que este Simpósio criasse um contexto favorável à partilha e ao aprendizado e que incentivasse, futuramente, maior cooperação dos dois lados, para benefício da Astrologia.

AA: Como a Astrologia feita por brasileiros é vista em Portugal?
Isabel Guimarães: De forma muito positiva e cada vez melhor, porque se estão a reforçar estas ligações entre os dois lados, quer pela Internet, quer presencialmente, particularmente agora com o Simpósio e, por isso, o trabalho de vários astrólogos brasileiros tem sido muito mais reconhecido e valorizado. Para além do mais, com esta parceria Portugal/Brasil, muitos astrólogos brasileiros foram e continuam a ser convidados pela Aspas para divulgarem o seu trabalho em nosso país por meio de cursos e workshops temáticos, os quais têm tido grande receptividade, a despeito das dificuldades financeiras gerais.

AA: Em princípio, como será a dinâmica de realização do 1º Simpósio Luso-brasileiro de Astrologia?
Isabel Guimarães: O 1º Simpósio Luso-Brasileiro de Astrologia vai ser realizado nos dias 20, 21 e 22 de março em Lisboa, na FIL – Feira Internacional de Lisboa, espaço de algumas das maiores feiras temáticas em Portugal, e também na Sociedade de Geografia, para a abertura solene, onde serão homenageados alguns astrólogos. Serão 43 congressistas responsáveis por palestras divididas por temas, demonstrando a diversidade existente na Astrologia. Assim, teremos temas que vão desde o período Clássico, renascentista, aos temas mais voltados para a atualidade, como a Astrologia Transpessoal e Humanista, associadas ao autodesenvolvimento, assim como temas que relacionam a Astrologia a outras ciências e são, portanto, reflexos do progresso registrado na área. É claro que, nisto, privilegiamos o público menos conhecedor e, por isso, os temas não versam somente sobre técnica, mas, antes, servem à Missão de divulgação da Astrologia, a que sempre nos propusemos. No encerramento, teremos um espetáculo com a “Astrologia Vivencial”, de Michelle Daya, também transmitido para o Brasil pela Internet.

AA: O que é necessário, e a partir de quando, para participar dele? O que ele deverá oferecer de benefícios?
Isabel Guimarães: Os brasileiros que não puderem estar presentes poderão assistir ao Simpósio pela Internet, com transmissão real time a cargo da Click3Tv, podendo acompanhar o que ocorrerá nas diversas salas, bem como as entrevistas dos congressistas. Assim, mais uma vez a distância física não representará um problema. No entanto, para os que queiram estar em Lisboa no Simpósio, só é necessário efetuar a inscrição até dia 12 de março de 2015 no site http://simposioaspas2015.wix.com/aspas. O valor do ingresso é variado, conforme o número de dias que se pretenda assistir, e também é diferente consoante for ou não membro da Aspas. Portanto, deixamos o convite a todos os interessados na Astrologia, para que venham navegar em solo conosco as estrelas, segundo o nome que demos ao Simpósio: “Navegar as estrelas”. A programação do Simpósio foi desenvolvida de modo a levar em consideração todo tipo de público interessado, agregando valor a uma variedade de temáticas e permitindo que novos conhecimentos possam ser discutidos junto com vários dos mais conceituados astrólogos dos dois países e, por isso, esta é certamente uma oportunidade a não perder.

AA: Como o trabalho conjunto de astrólogos de várias nacionalidades pode ser benéfico à imagem pública da Astrologia, nesta época tão marcada por alterações de paradigmas?
Isabel Guimarães: Esse trabalho conjunto contribui essencialmente para que haja maior coesão na prática do conhecimento astrológico e na existência de maior unificação, de maior acerto e de visões mais centradas, porque aquilo que muitas vezes gera mais confusão no público é precisamente a grande variabilidade na forma como a Astrologia lhe é apresentada. A convergência de interesses, no nível das diferentes nacionalidades, permite que a Astrologia possa falar a uma só voz, revelando coerência e homogeneidade naqueles que devem ser os pressupostos básicos ligados a sua prática. Com a abertura da sociedade a estas áreas, face precisamente a essas alterações de paradigmas, percebemos que muitas pessoas vindas das mais diversas áreas têm revelado interesse crescente por aquilo que fazemos. Ou seja, há interesse do público em querer saber mais e, repare-se, isso é também visível entre nós, astrólogos, que viemos das mais diferentes áreas do conhecimento e que, de uma maneira ou doutra, buscamos com o nosso conhecimento contribuir para o próprio desenvolvimento da Astrologia. O que precisamos, contudo, é unir saberes e valorizar as diferenças num contexto de integração. E é com o colorido das diferentes visões, de país para país, que podemos encarar o futuro da Astrologia como cheio de potencialidades. Agora, essas potencialidades precisam ser trabalhadas, donde a necessidade de esforços conjuntos que se traduzirão numa melhor imagem pública da Astrologia, o que já temos verificado, embora gradualmente.

AA: A despeito da distância oceânica entre Portugal, Brasil e países da CPLP, como e em que sentido as atividades de geração e disseminação de conhecimento astrológico podem ser enriquecidas e fortalecidas entre nós todos?
Isabel Guimarães: Os congressos e simpósios são importantes nesse sentido, daí que pontualmente eles devam ser realizados. Como exemplo, o 7º Simpósio Internacional de Astrologia, no Rio de Janeiro, do qual, pela segunda vez, terei o privilégio de participar em novembro de 2014.  Depois, é mais que evidente que as novas ferramentas da comunicação fazem esbater distâncias em apenas um clique, e não é por acaso que grande parte dos astrólogos a elas recorram de modo intensivo para divulgarem seus trabalhos sob a forma de palestras, web conferences e, mais recentemente, os congressos online de Astrologia. São ferramentas que nos permitem intensificar a nossa missão. Elas criam vias de contato cheias de potencial que, anos atrás, eram impensáveis, permitindo-nos estar abertos e receptivos a qualquer público que tenha um mínimo interesse na Astrologia. Nisto, criou-se uma abundância de informação, pois tudo está acessível a qualquer pessoa. Todavia, informação não representa necessariamente conhecimento; assim, a próxima etapa a explorar nessas atividades de disseminação do conhecimento astrológico poderá ser a aposta na qualidade do próprio conhecimento e em sua respectiva estrutura.


Isabel Guimarães: As pessoas querem superar o sentimento alienante e sem sentido em que se encontram suas vidas. É por isso que a Astrologia é tão importante, pois ela devolve esse sentido às pessoas, o que no fundo é o seu objetivo mais primordial.


AA: A seu ver, o que falta à Astrologia para ter reconhecimento público mais amplo e sustentado como campo gerador de conhecimento humano efetivo e de qualidade?

Isabel Guimarães: Na minha opinião, passa essencialmente por uma melhoria da qualidade da formação e pela ampliação da qualidade de como expomos nossas investigações ou pesquisas e produzimos nosso conhecimento. Ou seja, é preciso que existam determinados parâmetros para fundamentar o que afirmamos, e mostrar ao público esse fundamento. Desse modo, determinados preconceitos, como aliar o conhecimento astrológico à dinâmica de intuição ou fé, própria de cada pessoa, são, por fim, desfeitos. Essas convicções equivocadas só podem ser desfeitas por um bom trabalho de divulgação, começando, desde logo, por esclarecer o que é e o que não é a Astrologia. É preciso igualmente reformular o papel do astrólogo, para que ele possa corresponder às expectativas que a Astrologia acarreta e que envolvem, em torno de si, um sentido de responsabilidade social. O público, as pessoas, precisam “sentir” as respostas. Elas já não se satisfazem com uma abordagem pré-programada. Elas necessitam sentir realmente, de um jeito que as faça se despregarem do sentimento alienante e sem sentido em que se encontram suas vidas. É por isso que a Astrologia é tão importante, pois ela devolve esse sentido às pessoas, o que no fundo é seu objetivo mais primordial. É importante informar as pessoas que a Astrologia existe por si só, com um corpo de conhecimentos consolidado e, como tal, não deve ser confundida com outras práticas, como runas ou tarô, que nada têm a ver com Astrologia. É tarefa do próprio astrólogo fazer essa distinção e definir claramente ao público o tipo de serviço que presta, pois isso contribuirá muito para um melhor esclarecimento da prática astrológica. Nisto, cabe aqui reforçar o papel do Código de Ética e Deontologia profissional, que é fundamental.


25 de set. de 2014

Vocação: aquilo que se expressa com fogo no coração e paixão no corpo

Poucas coisas frustram tanto na vida, quanto não ver sentido no que se faz ou não extrair prazer daquilo a que se dedica. A tarefa é repetitiva, a atividade fica entediante e a expressão de si se apequena.
Quantos de nós, todavia, tiveram a oportunidade de serem muito cedo bem orientados rumo ao encontro e expressão da própria vocação, antes que as obrigações da existência se impusessem e muitas vezes levassem a pessoa por caminhos que, em verdade, não eram os mais satisfatórios para si?
Não basta trabalhar, há que fazê-lo com prazer. Não basta garantir o dia-a-dia, há que preenchê-lo de significado. Isso, muitas vezes leva-se décadas para aprender, sendo que em grande parte dos casos retomar a trilha da melhor expressão de si próprio é bastante complicado, em função de compromissos assumidos, hábitos desenvolvidos e estruturas familiares, sociais e profissionais, ou empresariais, existentes.
Cenário geral como esse, tão comum, reveste de importância uma das especialidades da Astrologia, a Astrologia Vocacional.

Para conhecer um pouco melhor disto tudo, Astrologia Arquetípica esteve com Ciça Bueno, astróloga, numeróloga e musicista, que desde os anos 2000 se dedica a esta especialidade.


Ciça Bueno: Assumir a vocação é comprometer-se,
no coração, com a alegria de produzir bem.


AA – Começando pelo principal: o que é vocação?
Ciça Bueno – Vocação vem do latim vocatio ou vocare, que no dicionário diz “chamamento, intimação ou convite” ou evocar a voz do coração. Vocação é ao mesmo tempo o que impele o indivíduo a uma expressão mais integral de si mesmo, ou seja, o chamamento; pode ser compulsória, pois sem ela nos sentiremos insatisfeitos e, é convite, pois a vida quer que a gente se realize de forma plena, expressiva, criativa.

AA Chamamento? Você está falando de destinação?
Ciça Bueno – A profissão não é determinada, mas a vocação, até certo ponto, sim. A profissão é o resultado desse pendor justamente, mais o treinamento, a orientação e preparo adequados que se deve ter.

AA – Daí a facilidade pessoal maior com esta ou aquela área de atividade prática, seja objetiva ou subjetiva, quando ela corresponde à vocação?
Ciça Bueno – Sim. Inúmeras vezes a vocação se expressa muito cedo, desde que somos crianças, mas termina soterrada por expectativas familiares, por pressões culturais ou sociais... Quando isto não ocorre, e o desenvolvimento de competências e habilidades de expressão é facilitado, a pessoa produz com mais brilho e alegria.

AA – Alegria? Poucas pessoas associam isso a trabalho...
Ciça Bueno – O que é uma pena, pois passamos ao menos um terço de nossa vida trabalhando, enquanto outro terço inteiro de alguma forma se relaciona a isso, em círculos familiares e sociais. Portanto, se a alegria não estiver presente, a vida perde muito em prazer e satisfação.

AA – Daí a importância de uma orientação adequada o quanto antes?
Ciça Bueno – Descobrir a vocação é descobrir o propósito da vida e isso deve subordinar todo o resto. E hoje em dia, frente à multiplicidade de possibilidades profissionais, encontrar uma que facilite a expressão da vocação, não é difícil. Antes, havia meia dúzia de profissões; hoje, há centenas, se contarmos as especialidades e subespecialidades.

AA – Quem a procura para orientação?
Ciça Bueno – Em minha prática de atendimento, são duas as situações mais comuns. Por um lado, jovens em fase de decisão de vestibular e decisão de que caminho tomar. Algumas vezes são seus pais que me procuram, preocupados em orientar bem os filhos. Hoje em dia, o leque de possibilidades é tão vasto, que os pais se confundem: Medicina ou Engenharia? E, se for Medicina, em qual especialidade? Orientação clínica cirúrgica, científica?

AA – Além das próprias expectativas pessoais dos pais, não?
Ciça Bueno – Sem dúvida, nem sempre o filho de um empresário de construção tem pendor para as áreas de Exatas, como seria Engenharia.

AA – Você insiste em felicidade e alegria, ao discutir vocação.
Ciça Bueno – Sim, pois a Casa astrológica chave no assunto é a Casa V. E ao falar desta Casa falamos de criatividade, alegria e prazer de existir expressando a própria identidade, que por sua vez, é assunto do Ascendente.

AA – Só a Casa V e o Ascendente, na profissão?
Ciça Bueno – Não. Os símbolos relacionados ao Ascendente indicam traços pessoais que buscam expressão mais plena ao longo do mapa. No que se relaciona à criatividade, isto é simbolizado pela Casa V; mas, no tocante à profissão, a sequência é Casa II, Casa V, Casa VI e Casa X. A expressão da vocação e seu bom encaminhamento profissional, mobiliza várias áreas da Carta natal: Casas I, II, V, VI e X. Veja como este assunto tem enorme importância para uma pessoa!

AA – Como assim?
Ciça Bueno – A Casa II nos fala de recursos e capacidade produtiva, da produtividade do trabalho, a serviço da Casa V e do propósito do Ascendente. A Casa VI, nos fala do método de trabalho, ou melhor, de como as habilidades necessárias para a expressão da Casa V deverão ser treinados, conforme os ritmos biológicos de cada um. Por sua vez, a Casa X nos fala da colheita, associada à imagem pública, social, de carreira. Assim, quanto mais a vocação apontada na Casa V estiver presente na atividade de Casa X, por meio da Casa II e da Casa VI, mais a carreira brilhará e o indivíduo será feliz.

AA – Esquematicamente falando, a Casa X expressa profissionalmente a vocação da Casa V segundo o método desenvolvido e treinado da Casa VI e com os recursos da Casa II?
Ciça Bueno – Isto! Outros pontos importantíssimos são o Saturno, planeta chave para profissão e os Nodos Lunares.

AA – Voltando a um jovem, cujos pais a procuram?
Ciça Bueno – Então... a Astrologia Vocacional ajuda a orientar na fase clássica de decisão de carreira, que em geral é angustiante, por volta dos 15 e até os 18 anos, quando o jovem está em algum ponto do nível médio e se encaminhando para a graduação. Vale lembrar que entre os 14 e 15 há um hemiciclo de Saturno, primeiro forte momento de “cobrança de destinação”, que leva de 2 a 3 anos para se cumprir. Neste momento, um clássico teste vocacional também é bastante útil, mas a Astrologia é ímpar como opção de aconselhamento.

AA – Em qual nível de detalhes?
Ciça Bueno – Isto varia, caso a caso. Há pessoas destinadas a fazer cursos mais genéricos, outras vieram para fazer coisas mais específicas. Mas, a Astrologia Vocacional pode ajudar a estreitar o leque de alternativas. Nem sempre com a precisão necessária para dizer “Engenharia mecatrônica”, conforme o mapa, porém indica o campo geral e ajuda a pessoa a avaliar as diferentes possibilidades pessoais naquele campo. Pensando em Medicina, por exemplo, cada especialidade tem uma orientação íntima diferente, seja Ginecologia, Ortopedia, Oncologia ou Radiologia. Ou ainda, na Engenharia, seja elétrica, civil, hidráulica. Ou Direito, criminalista, tributarista ou de família.

AA – E o segundo tipo de atendimento?
Ciça Bueno – É o da pessoa que está frustrada, de modo mais ou menos indefinido, com o que vem fazendo. Em geral isto ocorre no primeiro retorno de Saturno, lá pelos 30 anos, ou mais intensamente na primeira oposição de Urano, na crise de meia idade, por volta dos 40 anos de idade. Por fim, pessoas bem maduras, no que se chama Terceira Idade, também podem se servir da Astrologia Vocacional para identificar a inclinação a hobbies, pois tanto vocação quanto hobbies são assuntos de Casa V: expressão criativa, alegria e satisfação.

AA – Como assim?
Ciça Bueno – O terceiro tipo de pessoa que venho atendendo, caso que vem crescendo bastante de uns tempos para cá, é de gente com mais de 60 anos ou prestes a chegar lá. Nesta fase, e isso é mais verdadeiro quanto mais a duração da vida se alonga, em geral já se está aposentado ou em vias de se aposentar. Esse é um excelente momento para passar a se dedicar àquilo que pode ser uma verdadeira vocação, caso não o tenha feito até então. Como hobby ou como profissão acessória, se quiser.

AA – Para todos estes públicos serve o site que você está lançando?
Ciça Bueno – Sim, claro que sim, embora o atendimento pessoal seja mais rico e aprofundado, como é de se esperar. Ocorre que, nem todo mundo que precisa dessa orientação, pode fazer o investimento necessário para uma consulta pessoal. Então, o site oferece a possibilidade desse encaminhamento de forma mais modica, objetiva e prática, via internet.

AA – Via Skype?
Ciça Bueno – Não. Por Skype é o mesmo que uma consulta pessoal. Por mais de cinco anos, eu e Marcia Mattos, minha coautora nesse trabalho, reunimos estudos e dados sobre adolescentes analisados e preparamos os textos que descrevem interpretativos de cada símbolo astrológico. Um dos frutos desse trabalho foi o livro “Vocação, astros e profissões”, que publicamos pela Editora Ágora, em 2007, pensado para autoaplicação pelo leitor, mas também para apoiar pais, educadores e orientadores vocacionais. (AA: a apresentação e o índice do livro podem ser conhecidos em https://www.gruposummus.com.br/indice/20035.pdf).


AA – E o site www.vocacional.com.br?
Ciça Bueno – Pois é, esse é outro bom fruto, que já está no ar e que disponibiliza o perfil vocacional de que vimos falando, com base no vasto material desenvolvido.

AA – Um software interpreta a Carta natal, com foco em vocação?
Ciça Bueno – Não. O software calcula os dados da Carta a partir da metodologia de análise do mapa sob a ótica vocacional que nós desenvolvemos. A partir daí, eu mesma analiso e escolho os textos pré-redigidos e os agrupo em um longo relatório sinóptico, que eu remeto ao internauta que me encomendou. É um trabalho artesanal. Sem dúvida, isto requer a bastante disposição, mas como eu gosto muito do que faço, é um grande prazer poder prestar esse serviço de qualidade. Aliás, como também ocorre com o atendimento pessoal, com a diferença de que, pessoalmente, sutilezas são mais bem aproveitadas.

AA – Sim, pessoalmente é sempre mais rico...
Ciça Bueno – Os símbolos astrológicos são os mesmos desde os babilônios e ainda são atualíssimos hoje em dia para detectar vocação e seus possíveis ofícios. Antes ofício, hoje modernamente, profissão. A riqueza dos símbolos reside nisto e sua eficácia é diretamente proporcional à competência do astrólogo em interpretá-los. O símbolo tem grande amplitude de sentidos e não só na área vocacional, mas em todas as áreas. Então, o bom astrólogo é aquele que sabe estabelecer acesso com qualquer tipo de pessoa, de nível cultural, classe social ou mesmo modelo psíquico, seja ela engenheiro, filósofo ou artista, pois em cada um de nós habita um jeito próprio de ser e de buscar uma boa expressão.

14 de set. de 2014

INSTRUMENTALIZANDO MELHOR
O PROFISSIONAL DE ASTROLOGIA
  
   Em inúmeros aspectos, os anos 60 foram um marco na história ocidental. Entre os fatos importantes, o início da percepção, junto ao grande público, da íntima associação entre Astrologia e Psicologia.
 Em 1968, a editora norte-americana Doubleday publicou “A Astrologia da personalidade – Uma reformulação dos conceitos da Astrologia em termos da Psicologia e da Filosofia contemporâneas”, do astrólogo franco-americano Dane Rudhyar, livro considerado em todo o mundo como o marco inicial da Astrologia com base psicológica.
   O livro, que fora originariamente lançado em 1936, vendeu em poucos meses mais de 100.000 exemplares.
   No ano seguinte surgiu a ISAR – International Society of Astrological Research, que viria a se transformar em Organização Não Lucrativa em 1980 e, a partir dos anos 90, se espalharia por outros 26 países.
   No Brasil, ela é representada por Márcia Ferreira Silva, ISAR.CAP e Diretora do CEAP – Centro de Estudos de Astrologia Psicológica, na cidade de Campinas, no interior paulista.
   Astrologia Arquetípica esteve com ela, para compreender melhor o papel da ISAR no mundo e o que ela oferece a estudantes e praticantes de Astrologia.




















Márcia Ferreira: O mundo todo caminha
para um mais pleno reconhecimento da
Astrologia como profissão organizada.


AA – Qual é a razão de existência da ISAR?
Márcia Ferreira – O propósito da ISAR é promover a Astrologia por meio de educação orientada, da pesquisa e do incentivo à prática responsável da Astrologia como serviço a clientes, dentro de elevados níveis de competência técnica e ética. Tendo isto em vista, a ISAR proporciona um fórum por meio do qual astrólogos interajam uns com os outros, compartilhem novos conceitos e intercambiem resultados de estudos e ou pesquisas, gerando melhor formação para si próprios e estudantes de Astrologia, bem como fortalecendo a imagem pública da Astrologia.
  
AA – Como isso se dá?
Márcia Ferreira – Uma maneira é nas Conferências bienais da ISAR, que reúnem uma constelação de palestrantes mundiais. Estas Conferências aproximam astrólogos de vários países e servem como núcleo para encontros e difusão de ideias e avanços no conhecimento astrológico. Outra forma é a revista quadrimestral “The International Astrologer”, que apresenta tanto artigos de astrólogos que vêm obtendo destaque, como os já reconhecidos em todas as especialidades da Astrologia. E há também uma publicação eletrônica semanal, no formato e-zine, que proporciona um fórum contínuo de discussões para troca de ideias e informações.
  
AA – Como um fórum internacional permanente sobre Astrologia?
Márcia Ferreira – Em certo sentido, sim. Por ser uma organização internacional com associados em 27 países, a ISAR propicia interação entre as várias culturas astrológicas. Para tanto, o site da ISAR se propõe a unir astrólogos em um vínculo constante de cooperação, assistência mútua e bom companheirismo. Por sua vez, os Vice-Presidentes que compõem o Conselho Internacional da ISAR, entre os quais eu, pois os países-membros têm Vice-Presidentes nacionais, organizam a interação entre os países.
  
AA – Quais países?
Márcia Ferreira – Por enquanto, Alemanha, África do Sul, Argentina, Austrália, Bali, Bélgica, Bósnia, Brasil, Canadá, Chile, China, Croácia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, Itália, Israel, Portugal, República Tcheca, Rússia, Sérvia, Suíça, Ucrânia e Turquia.
  
AA – Já houve quem dissesse que vivemos um momento mundial de “convergência (ou religação) de saberes”. Qual é o papel da ISAR no sentido de propiciar que a Astrologia se integre a esta ampla dinâmica (re)conceitual?
Márcia Ferreira – Os associados da ISAR realizam continuadamente este intercâmbio, quer em seu exercício profissional diário, quer nas atividades da própria ISAR. Nas Conferências, fóruns discutem a imagem da Astrologia perante a sociedade, a melhor postura frente à mídia, a educação na Astrologia, a realização de pesquisas qualitativas e quantitativas, o cenário mundial da Astrologia ao redor do mundo e inúmeros outros temas. É mantido um fórum, com mediação online, para estimular o pensamento crítico e questionador. E isto, por sua vez, dá origem a grupos de pesquisa sobre temas variados, sempre e de alguma forma associados à Astrologia.
  
AA – Pesquisas?
Márcia Ferreira – Sim, a ISAR oferece subsídios para pesquisas astrológicas originais e divulga estudos abrangentes e promissores em Astrologia. Diferenciando pesquisa científica, empírica e qualitativa, dá orientação e apoio para cada uma das vertentes. A ISAR também oferece bolsas a estudantes promissores, para ajudá-los a ampliar sua formação astrológica. Tanto, que a associação à ISAR dá imediato direito de participação em grupos de discussão de interesse específico, com possibilidade de integrar um diretório de estudos na rede mundial de associados.
  
AA – Inclusive estreitando aproximação com o mundo acadêmico?
Márcia Ferreira – Claro! Uma personalidade frequente do cenário acadêmico norte-americano, nas Conferências da ISAR, é Richard Tarnas, que foi Diretor de Cursos no afamado Esalem Institute, na Califórnia, e trabalhou com pioneiros como Gregory Bateson, James Hillman, Joseph Campbell e Stanislav Grof, além de ter integrado o Board do Instituto C. G. Jung de São Francisco.
  
AA – Embora parte importante das questões dos clientes em consultas diga respeito a aspectos mentais, vocacionais e de comportamento, a Astrologia também oferece respostas a questões de outra natureza, como Empresarial, Eletiva, Horária ou Mundial. Neste sentido, o que a ISAR oferece a seus filiados?
Márcia Ferreira – Há grande convergência entre as diferentes vertentes da Astrologia. Nas Conferências da ISAR é frequente haver palestras de modalidades pouco conhecidas, como a Astrologia Uraniana ou de Simetria, a Heliocêntrica, a Védica e a Dracônica, além das linhas ou especialidades mais conhecidas, como a clássica medieval. Em 2011, a ISAR realizou uma pesquisa de âmbito mundial, da qual vários países participaram, entre eles o Brasil: mais de 1.300 profissionais, entre os quais 300 brasileiros, responderam sobre a profissão do astrólogo, os diferentes segmentos de atuação, as técnicas utilizadas, a formação profissional, a imagem pública da profissão, as organizações de Astrologia e quais vertentes têm sido mais praticadas nos diferentes países: Empresarial, Eletiva, Horária, Psicológica, Cármica, Tradicional, Mundial, etc.

AA – Não foi após uma pesquisa mundial que a ISAR se decidiu pelo seu atual Programa de Certificação?
Márcia Ferreira – Sim, foi após a pesquisa realizada em 1994, quando ela estava iniciando sua internacionalização e a maioria dos então associados optou por haver a Certificação.
  
AA – Como isso é feito?
Márcia Ferreira – A ISAR certifica profissionais do mundo todo, não apenas quanto às diferentes técnicas astrológicas, mas também quanto a Técnica de Atendimento e ao Desenvolvimento de Consciência Ética. Os profissionais que cumprem os requisitos necessários recebem a designação de ISAR.CAP, ou “ISAR Certified Astrological Professional”, um título reconhecido em todos os países-membros. Para isso, com o passar do tempo o Programa de Certificação foi traduzido e incorporado por escolas de Astrologia e organizações de inúmeros países, incluindo Argentina, Brasil, Canadá, Chile, China, Estados Unidos, Israel, Sérvia, Rússia, Ucrânia e Turquia, além dos que se encontram em processo de implantação.
  
AA – Como é o programa de Certificação da ISAR?
Márcia Ferreira – São três etapas. A primeira consiste em um workshop de 20 horas, no qual se desenvolvem competências para um atendimento eficiente. A segunda se desenvolve em um seminário de duas horas, no qual são discutidos e aprofundados os conceitos éticos fundamentais para o exercício da profissão. Por fim, a terceira etapa é um Exame de Competência Técnica, com seis horas de duração, no qual são abordados temas de variadas vertentes da Astrologia, para aferição de grau de conhecimento técnico do profissional. Este exame está sendo implantado no Brasil, assim como os cursos preparatórios para o exame.
  
AA – É um conjunto ambicioso e articulado de atividades...
Márcia Ferreira – Sim, e foi exatamente isto o que me atraiu na ISAR quando participei pela primeira vez de uma de suas Conferências, anos atrás. Fui depois me aprofundando nos temas propostos e percebendo grande seriedade em relação à Astrologia, algo que eu já vinha buscando e de certa forma encontrava no Brasil, mas na ISAR era mais focado e mais organizado e aprofundado. Os fóruns, os constantes questionamentos e as indagações pessoais, enquanto profissionais que somos, e sobre como estamos exercendo nossa profissão e como ela pode ser mais bem traduzida para os leigos em Astrologia, abrindo novas perspectivas e propiciando mais maturidade como profissional, foram fatores que me marcaram também, o que culminou com o Processo de Certificação, que definitivamente me transformou.
  
AA – Transformou-a em qual sentido?
Márcia Ferreira – Antes, por ser psicóloga e astróloga, eu já vinha lançando pontes entre nossa atividade e a Psicologia, tanto nos cursos do CEAP, quanto em palestras e seminários em outros locais do Brasil e no Exterior. Pois percebo que, conforme se explica a Astrologia para outros públicos, como o de psicólogos, a disposição para se abrir à Astrologia muda radicalmente. Após estreitar minha proximidade com a ISAR, e principalmente após minha Certificação e de ter assumido a Vice-presidência no Brasil, isto passou a acontecer de forma mais consistente. Assim, venho fazendo essa ponte no Brasil, em Conferências da ISAR como a que haverá em Phoenix, dia 25 de setembro, ou ainda na ASPAS, a Associação Portuguesa de Astrologia, onde estive dando um curso este ano e também participarei do Congresso Luso-Brasileiro, no qual meu tema será a inter-relação entre Astrologia e Psicologia.
  
AA – O que está sendo feito para ampliar a atuação da ISAR no Brasil?
Márcia Ferreira – Além do Programa de Certificação, em implantação, há o programa "Escolas Filiadas ao ISAR", que é a acreditação da ISAR quanto ao trabalho de escolas. Para receber esse reconhecimento, é preciso apresentar o currículo completo da escola e atender a algumas exigências, como um mínimo de horas/aula, por exemplo, na capacitação. Até o momento, só o CEAP recebeu esse reconhecimento no Brasil, mas duas outras escolas estão no processo de se tornarem “Escolas Filiadas ao ISAR”. Este tipo de reconhecimento é muito valorizado ao redor do mundo e pela sociedade em geral e, no caso do CEAP, vários alunos online indicaram ter sido este um dos fatores de escolha do curso pela internet.
  
AA – Para encerrar, o que é preciso, no Brasil, para filiar-se à ISAR?
Márcia Ferreira – Apenas inscrever-se no site do ISAR no Brasil (http://www.isarastrology.com.br/associar.php) e pagar uma anuidade de USD49,00, um valor extremamente reduzido frente ao volume de benefícios oferecidos, com plena participação em uma rede mundial de profissionais e estudiosos de Astrologia.

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