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17 de jul. de 2016

ASTROLOGIA E CRISTIANISMO

Uma vez mais fui convidado a palestrar na “Astrológica”, o mais importante evento paulista de Astrologia, que ocorre anualmente na Escola Gaia há 17 anos ininterruptos.
Eu estava, quando do convite, debruçado sobre um particular assunto, buscando compreender as razões da oposição moral e ética das Igrejas cristãs contra a Astrologia.
Pois a vida me aproximara de uma pessoa devotadamente católica que, aos mais de 50 anos, eu percebia como alguém intelectualmente honesto, bem-intencionado e com superior inteligência; esta pessoa, na primeirinha vez em que mencionei Astrologia, reagira com a veemência da aversão, muito além da reação apenas intelectual, como seria a expressão depreciativa: “ah, isto é bobagem...”.
Dispus-me, então, a compreender o que pudessem ser as razões de tal vigorosa reação afetiva, ao invés de desconsiderar o que fora oposição ao que eu dissera ter interesse.
Afinal, quantas vezes muitos de nós, ao serem confrontados, por defesa desvalorizam o argumento do outro e, com isso, deixam de recepcionar seus motivos, o que seria a base de uma verdadeira comunhão de pensamentos? Como construir uma ponte dialogal sem primeiro ver o assunto pelos olhos do interlocutor, para só depois poder contra-argumentar com maior propriedade?
Seguindo um jeito natural de ser, no meu estudo pessoal produzi um texto e, do texto, extraí o material de apresentação que deu base à palestra.







Aquela palestra terminou gerando em mim um novo livro, que será lançado em julho de 2017: "Astrologia e Cristianismo em diálogo".

Em breve, publicarei aqui algo sobre isso.

3 de dez. de 2013

Lei, religião e filosofia, o que nos auxilia a viver em grupo



No princípio, éramos bandos, sobrevivendo como dava, de caça e coleta.


A prolongada infância, já que entre todos os animais levamos muitos anos para poder sobreviver pelos próprios meios, obrigava que o bando convivesse por períodos alongados em benefício da prole, garantia de duração da espécie.

Assim, pouco importa se falamos do estado selvagem, da barbárie ou da primeira civilização, ter regras grupais era fundamental para dirimir conflitos, organizar relações, priorizar obrigações e impedir que, feito animais brutos, a disputa pela sobrevivência levasse à destruição mútua a qualquer momento.

Passamos a enterrar nossos mortos (somos a única espécie a fazer isto), por vezes em elaborados rituais, e, na medida em que fomos expandindo a área geográfica de nossa atuação, começamos a cogitar sobre o mundo e nosso papel nele.

Gradativamente, no transcorrer de milênios ou dezenas de milênios, fomos, como espécie, desenvolvendo aquilo que, na simbólica da Astrologia Arquetípica, encontramos em Júpiter e, por extensão, na Casa IX, relacionada a este Planeta: Leis, Religião e Filosofia.

Raras vezes alguém é bem sucedido nestas áreas da vida, seja por profissão, seja por interesse diletante, se não tiver um Júpiter ou uma Casa IX realçados em sua Carta natal astrológica. Até poderá trabalhar com isso, mas será só funcionário do assunto, dada a ausência de vocação seguramente orientadora, que abre os caminhos e gera/atrai oportunidades.

Aqueles que, além disso, tiverem um Júpiter em trígono ou sextil com Saturno, em geral são pessoas de elevada capacidade de ponderação, cheios naturalmente do que, no popular sábio, costumamos chamar de “bom senso”.

E se ainda por cima tiverem um aspecto harmonioso de Júpiter com Plutão, aí, sim, costumam ser estes os bons juízes e eventualmente até os juristas e jurisprudentes: mais do que operadores do Direito, o que já é bastante quando é bem feito, estes produzem de olho nas necessidades do vasto coletivo (Plutão sempre se refere a poder impessoal), muitas vezes ainda não perceptíveis ao olhar menos vocacionado para isto.

Como estas áreas requerem excelente domínio das artes da linguagem, essencial para exposição de fatos ou direitos e busca de conciliação, costuma ser bastante necessário um Mercúrio bem articulado.

Por fim, para o efetivo exercício de sabedoria, há que ser compassivo, para temperar a dureza da justiça, razão por que um bom convívio com os próprios sentimentos e o respeito cuidadoso com o dos outros é bem mais do que essencial.

21 de nov. de 2013

Mente, alma, espírito e Astrologia Arquetípica



Perguntaram-me um dia: “é possível identificar na Carta natal astrológica natal os assuntos mais importantes para a alma da pessoa?”.






Esta é questão muito além de desafiadora, pois para começar é necessário entender do que exatamente se fala, ao mencionar “alma”.


Eu cheguei a discutir um pouco sobre Astrologia, mente, alma e espírito em meu livro Astrologia Arquetípica, autoconhecimento e espiritualidade, mas nada impede que avancemos um pouco por aqui.


Em termos gerais, pode-se dizer que tudo na Carta natal astrológica se refere à alma da pessoa, alma esta que se expressa nas mais determinantes formas de ser, pensar e sentir da pessoa, em suas sucessivas fases de amadurecimento.


Como dizia S. Agostinho sobre a alma, “ela traz todo o conhecimento, e, quando vai aprendendo com a idade, nada mais faz que recordar”.


Nesta forma de ver a questão, uma específica alma não encarnaria em uma vida taurina se sua característica central fosse a de vir a ser aquariana, apenas para dar um exemplo entre os inumeráveis possíveis, pois o arranjo simbólico da Carta natal astrológica é consoante às características da alma que na pessoa se encarnou, englobando a distribuição de Planetas por 
Signos e Casas astrológicas, os Aspectos que eles fazem entre si e as Casas astrológicas da Carta, tal como estão registradas.


Todavia, fechando um pouco o foco, pode ser que a questão apresentada dissesse respeito às questões mais desafiadoras (e fecundas) da pessoa e, por isso, apenas como forma de dizer, “interessam à sua alma”.


Então o olhar toma outro rumo.


Ao analisar uma Carta natal astrológica sob este ângulo, as questões relativas ao Sol e à Lua, ao regente do Signo Ascendente (Casa I) e ao regente do Signo onde está o Meio do Céu (Casa X) são fundamentais para compreender o plano geral de expressão da alma que encarnou na pessoa.


Ao mesmo tempo, as questões relativas aos complexos simbólicos associados à Casa VIII e XII, assim como aos Planetas transpessoais, Urano, Netuno e Plutão, sinalizam as vias de acesso aos estratos mais profundos, praticamente da alma mesma, na pessoa.


Os demais dados astrológicos da Carta oferecerão informações acessórias e, entre elas, o trânsito de Saturno pelas distintas Casas astrológicas e diferentes Aspectos que irá fazendo a cada instante com outros Planetas: por onde Saturno estiver transitando, certamente ali estarão simbolicamente demonstradas as essenciais tarefas de desenvolvimento da alma naquele momento.


Por isso, também, as Tradições apelidaram Saturno de “O Senhor do Carma”.

16 de nov. de 2013

Gozar, morrer e reestruturar-se inteiramente



A oitava Casa astrológica, popularmente conhecida como “Casa da morte”, é uma das menos bem compreendidas em seus múltiplos e profundos significados.



Tradicionalmente foi associada à morte em si, mas também às vivências mais intensas da sexualidade e às dinâmicas de transformação pessoal em um nível bem pouco usual, verdadeira morte para renascimento: Fênix.


Restruturação integral da personalidade, em verdade, no nível mais profundo que alguém pode conseguir, motivo pelo qual o conjunto simbólico associado à Casa VIII também costuma  ser relacionado a episódios de psicopatia, ou adoecimento psíquico ou emocional, variáveis no tempo e na intensidade segundo a estrutura psicoemocional integral da pessoa.


Para obter compreensão, aqui temos de nos socorrer em ao menos dois conjuntos de conceitos.


Um, já clássico, como Jung alerta em um de seus livros: a sexualidade não é mera instintividade; é um poder indiscutivelmente criador que é não somente a causa fundamental de nossa existência individual, mas um fator em nossa vida psíquica a ser levado [em consideração] com muita seriedade (...) Poderíamos chamar a sexualidade de porta-voz dos instintos, e é por isto que o ponto de vista espiritual vê nela a sua principal antagonista, não, certamente, porque a tolerância sexual seja em si mesma mais imoral do que o excesso no comer e no beber, do que a avareza, a tirania e o esbanjamento, mas porque o espírito pressente na sexualidade uma contraparte de igual peso e mesmo afim a ele”.


Por isso o ditado popular fala em “morrer de amor” ou, em momentos de orgasmo intenso, chegarmos a perder fugazmente a plena consciência.


Outro, o entendimento das Psicologias transpessoais, que apontam o fato de ocorrências episódicas de desequilíbrio (por vezes extremamente intensas) serem fundamentais para a reobtenção do equilíbrio em um nível mais complexo e “elevado” de integração interna, só tornado possível por meio do rearranjo compulsório de muito do que estava “organizado”, mas resistente à mudança.


Por razões assim é que, quando Saturno em trânsito passa a indicar um aumento de pressão interna dos assuntos associáveis à Casa VIII (ou por transitar por ela, ou por fazer quadratura ou oposição com planetas que nela estejam, na Carta natal astrológica pessoal), o mais recomendado é que o indivíduo se oriente para buscar alguma forma de apoio e suporte, seja de psicoterapia ou aconselhamento, à medida que bem provavelmente não conseguirá lidar sozinho, tão bem quanto o poderia, com as intensíssimas dinâmicas internas que serão obrigatoriamente vividas e seus desdobramentos externos na vida cotidiana.


Se nada for feito no sentido de buscar alargar o suporte e o entendimento, a pessoa atravessa o período com intensos abalos internos, suportados como se consegue, mas o ouro do processo, o que de mais rico poderia ser compreendido e integrado, costuma não ser apropriado pela pessoa como era possível, em sua dinâmica de desenvolvimento e crescimento interno.

11 de out. de 2013

Maria Santíssima e o psiquismo humano

Para o dia de nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, decidi refletir sobre Maria Santíssima, pois ela é figura poderosa na atração da pessoa humana ao caminho que pode levar a Deus em si e supera amplamente as fronteiras do catolicismo.


Só as denominações protestantes mais recentes, entre as quais muitas pentecostais e as neopentecostais, não mantêm rituais de fé associados a Maria – e isto pode levar a crer que sempre foi assim no protestantismo, o que não foi.

Martinho Lutero determinou festas marianas na liturgia da igreja reformada. João Calvino, o segundo maior teólogo e principal responsável pela sistematização doutrinária e expansão do protestantismo, afirmou em 1542: “o Filho de Deus foi formado no seio da Virgem Maria. Isto aconteceu por ação milagrosa do Espírito Santo, sem consórcio de varão”.

E Ulrich Zwingli, o reformador da Suíça, manteve festas marianas em seu calendário litúrgico, além da recitação da “Ave Maria” nos cultos cotidianos. Na Igreja anglicana, Maria ocupa lugar de realce, com igrejas a ela dedicadas na Europa, em Hong Kong e no Brasil, capelas em grandes igrejas (a Capela Anglicana de Walsingham, na Inglaterra, desde 1601 recebe fieis em peregrinação mariana) e até mesmo a adoção de estátuas e ícones marianos.

No cenário oriental, dezenas de festas marianas são realizadas habitualmente nas seis diferentes igrejas ortodoxas, embora com variações de calendário, além de se cantar diariamente o “Magnificat”, de em várias delas se adotar a “Ave Maria” na liturgia e de em todas elas se admitir a noção de cooperação de Maria Santíssima com Jesus Cristo, pelos tempos a fora, para a salvação do ser humano.

Fora do Cristianismo, Maria é a única mulher mencionada no Alcorão pelo próprio nome, Maryam (sendo que a menção de seu nome supera em quantidade as de Adão, Ismael, José, Jonas, Elias, Zacarias, João ou Jesus), e a ela é atribuído um duplo papel: sinal (ayat) e exemplo (mathal).

Até em uma doutrina como a kardecista, que não crê que Jesus Cristo tenha sido Deus feito carne, entendendo que foi somente “um espírito evoluído”, Maria recebe grande destaque em inúmeros centros de encontro.

Como se vê, a despeito das diferenças de crença entre diversas fés, algo ocorre no coração de homens e mulheres em todo o mundo, de modo até ecumênico, que congrega em torno a ela um nível de imantação e de intenção de veneração que só se dá referida a ela, Maria, Mãe de Deus, nossa Senhora da Conceição.

No simbolismo da Astrologia Arquetípica, um aspecto intenso entre Lua e Netuno costuma indicar um acentuado perfil de devoção mariana, razão pela qual, se for Carta natal de homem, enquanto tal característica inconsciente não for melhor entendida e de algum modo vivenciada no consciente, é marcante a tendência a “divinizar” as mulheres de quem se aproxima, por projeção do sagrado nelas.

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