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13 de jul. de 2017

ASTROLOGIA E CRISTIANISMO EM DIÁLOGO

No decorrer de dois milênios a Astrologia e o Cristianismo viveram uma intensa dinâmica de convivência em controvérsia.
De um lado, altas autoridades religiosas mantinham estreitas relações com astrólogos, como que requerendo e aprovando o seu trabalho; por outro, a totalidade dos documentos canônicos das três vertentes do Cristianismo, a saber: a Católica, a Oriental (Ortodoxa) e a Protestante, manteve no decorrer dos séculos a interdição de toda prática que parecesse ser divinatória, entre elas a da Astrologia.
Mesmo assim, e até em países dominantemente cristãos, como Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e Brasil, a Astrologia não deixa de ser praticada até hoje e fiéis da cristandade, mesmo quando o fazem com certa culpa ou vergonha, não deixam de consultar astrólogos.
Em todo este longo tempo, três foram as questões principais, nos campos da Ciência (a Astrologia funciona?), da Ética (a Astrologia desrespeita o livre-arbítrio?) e da Teologia (servir-se da Astrologia é violar a fé e a esperança em Deus?).

As descobertas dos séculos 20 e 21 parecem oferecer conhecimentos que possam permitir o estabelecimento de boas pontes de convívio e diálogo entre Astrologia e Cristianismo, à busca de compreender melhor por que de fato ela funciona, por que ela não desrespeita o livre-arbítrio e por que utilizá-la não é violar a fé e a esperança em Deus.

No caminho do diálogo – Passos importantes neste sentido estão sendo dados por um pesquisador brasileiro, o jornalista e escritor Luiz Carlos de Carvalho Teixeira de Freitas, que desde a década de 1980 pesquisa o assunto e escreve sobre ele, e lançará no final de julho de 2017 o seu sexto livro na área, agora sob o tema Astrologia e Cristianismo em diálogo.

Há anos o autor vem trabalhando no âmbito do Pensamento da Complexidade para construir um modelo epistemológico que articule os tradicionais conhecimentos da Astrologia Ocidental, desde Ptolomeu, com os conhecimentos dos séculos 20 e 21, na elaboração de respostas consistentes sobre a validade e a utilidade das práticas astrológicas.
Agora, com base no trabalho de teólogos como S. Tomás de Aquino, S. Agostinho e S. Alberto Magno, e em descobertas contemporâneas da Biologia, da Física de Partículas (Quântica), da Neurociência e da Psicologia, o livro avança nas questões da fé, do livre-arbítrio e da validade da Astrologia.

Este meu estudo é estritamente dentro do âmbito cristão, explica o autor, razão pela qual não discuto o assunto à luz de outras religiões, como seriam a budista, a islamita, a judaica ou a hinduísta. Talvez isto venha a ser feito um dia. Por enquanto, e porque o Brasil é dominantemente cristão, escolhi ater-me ao Cristianismo. Com isto em vista, o conteúdo do livro se desdobra em três aspectos entrelaçados e apresentados em linguagem de fácil acesso: a) o que teólogos cristãos fundamentais já afirmaram sobre a veracidade da Astrologia; b) como se colocava, para estes pensadores religiosos, o respeito ao livre-arbítrio humano e a manutenção da fé e da esperança em Deus, versus a aproximação com a Astrologia; c) o que, segundo alguns conhecimentos das últimas décadas do século 20, permite julgar que a Astrologia é de fato efetiva e válida, isto é, que ela funciona.

Segundo Teixeira de Freitas, este livro é um passo no sentido de construir um espaço de diálogo no qual pensadores cristãos e não cristãos, bem como especialistas de diferentes campos de conhecimento científico, possam trocar informações e cotejar conceitos, na tentativa de avançar na compreensão das bases objetivas da Astrologia e no melhor entendimento das questões humanas, científicas, éticas e religiosas, que sua prática ou seu estudo suscitam.

Contam que quando Einstein terminou a formulação teórica da Teoria da Relatividade Geral, em 1915, solicitou auxílio de David Hilbert, um dos mais brilhantes matemáticos daquele tempo, o qual finalizou as fórmulas necessárias e teria dito: a Física é importante demais para ficar apenas nas mãos dos físicos.
Diz Teixeira de Freitas: penso o mesmo em relação a Astrologia, mas para isso outras áreas de conhecimento deverão querer se aproximar dela. É um caminho que demorará a ser mais inteiramente percorrido, de tão delicadas e complexas são as questões envolvidas, indo do livre-arbítrio humano, dom de Deus, à existência de dinamismos não-materiais e intemporais que atuam com eficiência nas formas de organização da obra de Deus, o mundo, e são sinalizados há milênios pelos símbolos da Astrologia. Sabe-se que um longo caminho começa pelos primeiros passos. Esta minha obra demonstra e explica o início da caminhada.

O lançamento
O livro Astrologia e Cristianismo em diálogo será lançado em 21 de julho de 2017, na noite de abertura da XII Semana de Astrologia, na Escola Gaia de Astrologia, uma importante escola astrológica brasileira, situada em São Paulo (rua Frei Eusébio da Soledade, 74, Vila Mariana, telefone 11 5084.3256).

Às 20:00, o autor dará uma palestra aberta ao público sobre o assunto e, depois, fará uma noite de autógrafos.






Se quiser saber mais sobre este assunto, siga o link.

3 de dez. de 2013

Lei, religião e filosofia, o que nos auxilia a viver em grupo



No princípio, éramos bandos, sobrevivendo como dava, de caça e coleta.


A prolongada infância, já que entre todos os animais levamos muitos anos para poder sobreviver pelos próprios meios, obrigava que o bando convivesse por períodos alongados em benefício da prole, garantia de duração da espécie.

Assim, pouco importa se falamos do estado selvagem, da barbárie ou da primeira civilização, ter regras grupais era fundamental para dirimir conflitos, organizar relações, priorizar obrigações e impedir que, feito animais brutos, a disputa pela sobrevivência levasse à destruição mútua a qualquer momento.

Passamos a enterrar nossos mortos (somos a única espécie a fazer isto), por vezes em elaborados rituais, e, na medida em que fomos expandindo a área geográfica de nossa atuação, começamos a cogitar sobre o mundo e nosso papel nele.

Gradativamente, no transcorrer de milênios ou dezenas de milênios, fomos, como espécie, desenvolvendo aquilo que, na simbólica da Astrologia Arquetípica, encontramos em Júpiter e, por extensão, na Casa IX, relacionada a este Planeta: Leis, Religião e Filosofia.

Raras vezes alguém é bem sucedido nestas áreas da vida, seja por profissão, seja por interesse diletante, se não tiver um Júpiter ou uma Casa IX realçados em sua Carta natal astrológica. Até poderá trabalhar com isso, mas será só funcionário do assunto, dada a ausência de vocação seguramente orientadora, que abre os caminhos e gera/atrai oportunidades.

Aqueles que, além disso, tiverem um Júpiter em trígono ou sextil com Saturno, em geral são pessoas de elevada capacidade de ponderação, cheios naturalmente do que, no popular sábio, costumamos chamar de “bom senso”.

E se ainda por cima tiverem um aspecto harmonioso de Júpiter com Plutão, aí, sim, costumam ser estes os bons juízes e eventualmente até os juristas e jurisprudentes: mais do que operadores do Direito, o que já é bastante quando é bem feito, estes produzem de olho nas necessidades do vasto coletivo (Plutão sempre se refere a poder impessoal), muitas vezes ainda não perceptíveis ao olhar menos vocacionado para isto.

Como estas áreas requerem excelente domínio das artes da linguagem, essencial para exposição de fatos ou direitos e busca de conciliação, costuma ser bastante necessário um Mercúrio bem articulado.

Por fim, para o efetivo exercício de sabedoria, há que ser compassivo, para temperar a dureza da justiça, razão por que um bom convívio com os próprios sentimentos e o respeito cuidadoso com o dos outros é bem mais do que essencial.

21 de nov. de 2013

Mente, alma, espírito e Astrologia Arquetípica



Perguntaram-me um dia: “é possível identificar na Carta natal astrológica natal os assuntos mais importantes para a alma da pessoa?”.






Esta é questão muito além de desafiadora, pois para começar é necessário entender do que exatamente se fala, ao mencionar “alma”.


Eu cheguei a discutir um pouco sobre Astrologia, mente, alma e espírito em meu livro Astrologia Arquetípica, autoconhecimento e espiritualidade, mas nada impede que avancemos um pouco por aqui.


Em termos gerais, pode-se dizer que tudo na Carta natal astrológica se refere à alma da pessoa, alma esta que se expressa nas mais determinantes formas de ser, pensar e sentir da pessoa, em suas sucessivas fases de amadurecimento.


Como dizia S. Agostinho sobre a alma, “ela traz todo o conhecimento, e, quando vai aprendendo com a idade, nada mais faz que recordar”.


Nesta forma de ver a questão, uma específica alma não encarnaria em uma vida taurina se sua característica central fosse a de vir a ser aquariana, apenas para dar um exemplo entre os inumeráveis possíveis, pois o arranjo simbólico da Carta natal astrológica é consoante às características da alma que na pessoa se encarnou, englobando a distribuição de Planetas por 
Signos e Casas astrológicas, os Aspectos que eles fazem entre si e as Casas astrológicas da Carta, tal como estão registradas.


Todavia, fechando um pouco o foco, pode ser que a questão apresentada dissesse respeito às questões mais desafiadoras (e fecundas) da pessoa e, por isso, apenas como forma de dizer, “interessam à sua alma”.


Então o olhar toma outro rumo.


Ao analisar uma Carta natal astrológica sob este ângulo, as questões relativas ao Sol e à Lua, ao regente do Signo Ascendente (Casa I) e ao regente do Signo onde está o Meio do Céu (Casa X) são fundamentais para compreender o plano geral de expressão da alma que encarnou na pessoa.


Ao mesmo tempo, as questões relativas aos complexos simbólicos associados à Casa VIII e XII, assim como aos Planetas transpessoais, Urano, Netuno e Plutão, sinalizam as vias de acesso aos estratos mais profundos, praticamente da alma mesma, na pessoa.


Os demais dados astrológicos da Carta oferecerão informações acessórias e, entre elas, o trânsito de Saturno pelas distintas Casas astrológicas e diferentes Aspectos que irá fazendo a cada instante com outros Planetas: por onde Saturno estiver transitando, certamente ali estarão simbolicamente demonstradas as essenciais tarefas de desenvolvimento da alma naquele momento.


Por isso, também, as Tradições apelidaram Saturno de “O Senhor do Carma”.

11 de nov. de 2013

Você tem fé em sua inteligência ou crê ter razão em sua fé?



Nas palavras do Papa João Paulo II, em uma de suas encíclicas, “a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”.


Ele afirmava, assim, a necessidade de ambas as possibilidades humanas, pois sem a fé não se vai além do que a inteligência conhece, ao passo que sem a razão não se compreende aquilo a que a fé aponta.

(Verdade que na encíclica ele afirma o primado da fé; afinal, tratou-se de um Papa, mas esta é afirmação que podemos discutir...)

No alfabeto simbólico da Astrologia Arquetípica, Netuno é o símbolo astrológico mais diretamente associável a fé, enquanto Saturno é associável a ceticismo.

Pausa para conhecer a origem da palavra “cético”, tão mal entendida porque só suposta como “obstinado na dúvida”: o termo vem da raiz grega skeptikós, “que observa, que reflete”, do verbo sképtomai, “olhar atentamente, observar, refletir”.

Isto: é Saturno, e por esta razão seu símbolo astrológico está diretamente associado à capacidade humana de minuciosa reflexão sobre um tema, seja qual for.

Netuno, todavia, ao sinalizar a capacidade humana de crer naquilo que não está dado à observação, é o exato oposto da atitude saturnina de avaliação criteriosa.

O que esperar de alguma combinação entre os dois, quando em uma Carta natal astrológica ambos os planetas compõem algum Aspecto importante entre si?

Mais do que em outros casos, a necessidade de lidar com o balanceamento entre estas duas características humanas: fé e razão, tão mais a pessoa avança em anos, já que tais questões são mais próprias da maturidade.

Se Saturno e Netuno estão em quadratura ou oposição, o embate interno costuma ser agudizado, levando a pessoa a oscilar intensamente entre crer e descrer, seja em questões complexas de fé religiosa, seja em assuntos mais mundanos, relacionados a afetos e relações humanas mais delicadas.

Se Saturno e Netuno estão em trígono ou sextil, a evolução interna desta temática costuma ser mais harmoniosa, com sucessivas, mas graduais, superações das aparentes contradições insolúveis entre fé e razão.

Se Saturno e Netuno estão em conjunção, costuma ser inexorável o embate interno entre estas duas dimensões humanas, dando base a que, caso haja oportunidade de contato com a produção de distintas linhas de pensamento científico e religioso, possa emergir uma postura verdadeiramente filosófica sobre o assunto, já que a “pressão” de Netuno (fé) sobre Saturno (razão), e vice-versa, é exercida no ponto máximo possível, podendo levar a uma amálgama de qualidade, embora talvez incomum no meio em que ela vive.

11 de out. de 2013

Maria Santíssima e o psiquismo humano

Para o dia de nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, decidi refletir sobre Maria Santíssima, pois ela é figura poderosa na atração da pessoa humana ao caminho que pode levar a Deus em si e supera amplamente as fronteiras do catolicismo.


Só as denominações protestantes mais recentes, entre as quais muitas pentecostais e as neopentecostais, não mantêm rituais de fé associados a Maria – e isto pode levar a crer que sempre foi assim no protestantismo, o que não foi.

Martinho Lutero determinou festas marianas na liturgia da igreja reformada. João Calvino, o segundo maior teólogo e principal responsável pela sistematização doutrinária e expansão do protestantismo, afirmou em 1542: “o Filho de Deus foi formado no seio da Virgem Maria. Isto aconteceu por ação milagrosa do Espírito Santo, sem consórcio de varão”.

E Ulrich Zwingli, o reformador da Suíça, manteve festas marianas em seu calendário litúrgico, além da recitação da “Ave Maria” nos cultos cotidianos. Na Igreja anglicana, Maria ocupa lugar de realce, com igrejas a ela dedicadas na Europa, em Hong Kong e no Brasil, capelas em grandes igrejas (a Capela Anglicana de Walsingham, na Inglaterra, desde 1601 recebe fieis em peregrinação mariana) e até mesmo a adoção de estátuas e ícones marianos.

No cenário oriental, dezenas de festas marianas são realizadas habitualmente nas seis diferentes igrejas ortodoxas, embora com variações de calendário, além de se cantar diariamente o “Magnificat”, de em várias delas se adotar a “Ave Maria” na liturgia e de em todas elas se admitir a noção de cooperação de Maria Santíssima com Jesus Cristo, pelos tempos a fora, para a salvação do ser humano.

Fora do Cristianismo, Maria é a única mulher mencionada no Alcorão pelo próprio nome, Maryam (sendo que a menção de seu nome supera em quantidade as de Adão, Ismael, José, Jonas, Elias, Zacarias, João ou Jesus), e a ela é atribuído um duplo papel: sinal (ayat) e exemplo (mathal).

Até em uma doutrina como a kardecista, que não crê que Jesus Cristo tenha sido Deus feito carne, entendendo que foi somente “um espírito evoluído”, Maria recebe grande destaque em inúmeros centros de encontro.

Como se vê, a despeito das diferenças de crença entre diversas fés, algo ocorre no coração de homens e mulheres em todo o mundo, de modo até ecumênico, que congrega em torno a ela um nível de imantação e de intenção de veneração que só se dá referida a ela, Maria, Mãe de Deus, nossa Senhora da Conceição.

No simbolismo da Astrologia Arquetípica, um aspecto intenso entre Lua e Netuno costuma indicar um acentuado perfil de devoção mariana, razão pela qual, se for Carta natal de homem, enquanto tal característica inconsciente não for melhor entendida e de algum modo vivenciada no consciente, é marcante a tendência a “divinizar” as mulheres de quem se aproxima, por projeção do sagrado nelas.

28 de set. de 2013

Astrologia e fé em Deus: possibilidades harmonizáveis

Há quem julgue que nem deve se aproximar da Astrologia por haver restrições religiosas, algumas delas inclusive de base bíblica. E há quem até a utilize, mas viva discretos conflitos íntimos ao fazê-lo, por este mesmo fato.



Por isso é preciso entender que a Astrologia, do jeito que é trabalhada contemporaneamente, não viola preceito religioso algum.
Até o Século XX e o surgimento da Psicologia e dos estudos sobre o inconsciente, a Astrologia parecia ser só adivinhação e prometer apenas a possibilidade de prognosticar o futuro, com o que a pessoa poderia tentar escapar à sua destinação, um atributo do plano divino.
Todavia, quanto melhor se percebe que o que a Astrologia oferece é a possibilidade de identificação minuciosa da dinâmica inconsciente do indivíduo e do tipo de presente e futuro que dentro de si mesmo é gestado, para que de posse deste conhecimento ele possa se trabalhar em atos de aprimoramento pessoal, a questão de tentar prever qual futuro ocorrerá perde em importância.
E ganha em significação a possibilidade de ampliar a capacidade de livre-arbítrio, o qual só é verdadeiramente produtivo quando exercitado sobre bom conhecimento, devolvendo à pessoa humana a dignidade que reside no enfrentar seus próprios limites e defeitos ao desenvolver seus próprios potenciais e possibilidades.
Independente do que ela crê ou de qual religião pratica.

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