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25 de jun. de 2022

Um enorme potencial à disposição de psicoterapeutas

 


Em seus estudos Jung interessou-se pela Astrologia como recurso de descrição das dinâmicas psíquicas inconscientes e de seus desdobramentos comportamentais, sejam as conflitivas, sejam as que sugerem potenciais.

Um dos primeiros indicadores deste interesse está em uma carta escrita por ele a Sigmund Freud em junho de 1911, na qual relata: “minhas noites estão sendo ocupadas com a Astrologia (...) Até agora consegui algumas coisas notáveis que lhe parecerão totalmente inacreditáveis (...) Parece, por exemplo, que os signos do zodíaco são figuras caracterológicas, isto é, símbolos da libido que representam as qualidades típicas da libido”.

Bem adiante, em 1947 ele escreveu ao indiano B. V. Raman: “como psicólogo, interesso-me principalmente na luz particular que o horóscopo lança sobre certas complicações caracterológicas. Em casos de diagnóstico psicológico difícil, geralmente utilizo um horóscopo para ter um ponto de vista adicional, de um ângulo totalmente diferente. Devo dizer que muitas vezes descobri que os dados astrológicos elucidavam certos pontos que de outra forma eu não teria sido capaz de entender. De tais experiências, formei a opinião de que a astrologia é de particular interesse para o psicólogo”.

E, em 1951, estabeleceu em Aion – Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmo: “o significado fundamental do horóscopo é que, ao mapear as posições dos Planetas e suas relações entre si (Aspectos), junto com a distribuição dos Signos do Zodíaco (...), ele fornece uma imagem, primeiro do psíquico e, então, da constituição física do indivíduo. Ele representa, em essência, um sistema das qualidades originais e fundamentais do caráter de uma pessoa e, portanto, pode ser considerado um equivalente [simbólico] da psique individual”.

 

Por esta razão, em 1991 escrevi em Astrologia Clínica, um método de autoconhecimento que “até mesmo entre os estudiosos de Astrologia ou de Psicologia não costuma haver uma compreensão mais bem organizada de como estes dois vastos campos de conhecimento se interpenetram e enriquecem-se mutuamente. A Astrologia, oferecendo instrumental de detecção [e descrição] do que ocorre no interior da psique e, por consequência, na vida objetiva e subjetiva da pessoa; a Psicologia, oferecendo explicações conceituais sobre o dinamismo mental e a origem dos conteúdos da psique, atribuindo sentido e categorias descritivas mais precisas àquilo que o astrólogo percebe por meio do conjunto de símbolos que utiliza. Pense bem: é uma bênção dispor de um instrumento que propicie clara percepção do que ocorre nos desvãos do inconsciente, aos quais nem a consciência da própria pessoa tem acesso: isto, a Astrologia Clínica proporciona. Mas é igual bênção dispor de um arcabouço conceitual que propicie entender melhor, e como encaminhar de modo mais adequado, o que é então percebido: isto, a Psicologia oferece”.

 Na primeira parte do que eu disse: “clara percepção do que ocorre nos desvãos do inconsciente”, referia-me à descrição que é possibilitada pela Astrologia em seu exercício de retratar a base originária e as dinâmicas específicas da psique de alguém. Na segunda parte: “arcabouço conceitual que propicie entender melhor, e como encaminhar de modo mais adequado”, referia-me ao pensar e fazer próprios das psicoterapias (seja terapia profunda, breve ou de aconselhamento), para os quais o psicólogo (ou psiquiatra) é preparado, independente da Escola de Psicologia ou método de intervenção e técnica que adote em seu dia a dia de atendimento psicoterapêutico.

 

Segundo minha prática pessoal, exercida desde os anos 1980, tanto o psicoterapeuta quanto o paciente se beneficiam grandemente de uma descrição psicodiagnóstica com base em interpretação de Carta Natal astrológica, ao ajudá-los a descrever com mais clareza e precisão a paisagem inconsciente de caraterísticas e memórias que reside na psique do paciente desde a primeiríssima infância, e influencia sua memória e vontade sem que a consciência o saiba, possibilitando ao paciente, com o apoio do psicoterapeuta, uma atuação inteligente e decisiva sobre o seu panorama interno (e desdobramentos comportamentais) a partir dos valores ético-morais que adota, buscando se reformar intimamente para melhor.

A isto me proponho, também: ao trabalho conjunto com psicoterapeutas, independente da Escola ou do método que adotem, gerando para eles material cognitivo sobre a psique de seus pacientes, que permita potencializar os resultados de atendimento terapêutico que esteja em curso ou por se iniciar.

Meu trabalho, no que concerne ao uso da Astrologia para identificação e descrição de dinâmicas ideo-afetivas e emocionais, pode ser realizado também no caso de se tratar de relações interpessoais, indo além, então, de uma pessoa isolada: o paciente. Para psicoterapeutas que trabalhem com aconselhamento ou terapia familiar, a Astrologia Arquetípica oferece a possibilidade de identificar e descrever as dinâmicas inconscientes, inatas e ou condicionadas, que se estabelecem entre as pessoas envolvidas e costumam presidir a relação existente entre elas, no que diz respeito a dinâmicas conflitivas e à estimulação de potenciais.

É um enorme e riquíssimo conjunto de possibilidades.






23 de fev. de 2016

AUTOCONHECIMENTO PARA REFORMA ÍNTIMA

Em meados de década de 1980 enfrentei a necessidade de metodizar a entrevista devolutiva, para que a multiplicidade de informações oferecida pela Carta Natal pudesse compor uma narrativa organizada em linguagem leiga (isto é, sem jargão astrológico) que ordenasse as informações em um cenário roteirizado facilmente identificável e compreensível pela pessoa atendida.
A mente humana está a todo tempo engendrando e contando narrativas, quer para expressar-se, quer para assimilar o que está sendo percebido. É assim que ela funciona.
Portanto, quanto mais possível fosse apresentar as informações da Carta Natal dentro de um ordenamento dinâmico que viesse das fases finais da gestação até a vida adulta, passando pela infância e puberdade, mais fácil seria para a pessoa, depois, aproveitar as informações no trabalho de autoconhecimento para reforma íntima que estivesse desenvolvendo ou pretendendo desenvolver.

Em decorrência de minhas pesquisas, optei por estabelecer duas classes distintas de conteúdos psíquicos que se revelam pela interpretação arquetípica da Carta Natal:
a. fatores psicodinâmicos inatos, que passei a denominar “traços estruturais de personalidade”;
b. fatores psicodinâmicos condicionados, que passei a denominar “traços conjunturais de personalidade”, na medida em que passaram a vigorar por introjeção de dados da conjuntura vivida pela pessoa quando criança, dadas as características do ambiente de primeira infância.
Tais diferentes classes de conteúdos psíquicos merecem abordagens distintas pelo indivíduo, pois os traços estruturais, que são tipológicos, requerem “gerenciamento de aspectos pessoais perenes”, ao passo que os traços conjunturais, por decorrerem de treinamento por exposição a modelos paterno e materno, devem – e podem – ser alvo de “desprogramação” ou descondicionamento, seja em terapia, seja em reforma íntima empreendida por si próprio.

Com este método, por década e meia atendi pessoas interessadas em desvendar os mistérios de sua personalidade, já que tudo decorre da mente: o que somos “aqui fora” em enorme parte depende de como somos “lá dentro”.
Depois, passei a atender indo ao encontro da pessoa e, adiante, passei a atender apenas virtualmente, oferecendo relatórios escritos de interpretação elaborados um a um, isto é, não por software, dada a delicadeza e a intimidade de cada caso.

Se houve uma estrada pela qual a pessoa veio do nascimento até o momento presente de sua vida, relembrar e ressignificar o já vivido, do mais remoto ao atual, seria facilitado se fossem assinalados os principais pontos de referência para o caminho de volta e a retomada de si, sobre os quais a pessoa poderia, então, se debruçar para poder viver um hoje reformado para melhor.
Nisto, busquei ecoar Jung:
"o simples conhecimento intelectual não basta, pois só é eficaz uma rememoração que seja ao mesmo tempo vivenciada de novo. Muitas coisas irresolvidas ficam para trás devido ao rápido escoar dos anos e ao afluxo invencível do mundo que acaba de ser descoberto. Mas não nos livramos destas coisas, apenas nos afastamos delas. Se muito tempo depois evocarmos novamente a infância, nela encontraremos muitos fragmentos vivos da própria personalidade, que nos agarram, e somos invadidos pelo sentimento dos anos transcorridos. Esses fragmentos permanecem num estágio infantil e por isso são intensos e imediatos. Só por meio de sua religação com o consciente adulto poderão ser corrigidos, perdendo seu aspecto infantil".
Ou, como Fernando Pessoa poetou:
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou.
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
quero ir buscar quem fui onde ficou.

No desenvolvimento de um modelo de estrutura narrativa eficiente para apresentar por escrito a interpretação da Carta Natal segundo a Astrologia Arquetípica, fui auxiliado pelo fato de ser jornalista e ter atuado nas três principais funções da imprensa escrita (repórter, redator e editor), enquanto treino de desenvolvimento de competências complementares: coleta de informações, tradução das informações em redações concisas e disposição dos conteúdos redigidos em narrativas gerais contextualizadas.
E de ser escritor, o que facilitou quando por fim passei a interpretar apenas por escrito (graças à Internet): tendo os dados natais da pessoa, ao invés de recebê-la para duas ou três horas de entrevista pessoal passei a enviar um relatório de interpretação para depois responder, também por escrito (e-mail), a dúvidas surgidas ou necessidade de esclarecimento adicional.

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