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13 de jul. de 2019

“ASTROLOGIA EM DIÁLOGO COM A CIÊNCIA E A FÉ”, UM ESTUDO SOBRE A NATUREZA DA ASTROLOGIA


Se as coisas são inatingíveis... Ora!
não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a presença distante das estrelas!
Mário Quintana

Dois anos atrás vivi a enorme satisfação de poder lançar na Astrológica 2017 o livro Astrologia e Cristianismo em diálogo, no qual eu buscara integrar de modo harmonizado conhecimentos de Astrologia, Ciências da Religião e Psicologia.


Com o livro, eu conseguira trincar um paradigma secular: pela primeira vez uma editora brasileira de raiz católica, a Ideias & Letras, pertencente aos Redentoristas (que no Brasil cuidam da Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o maior templo mariano e o segundo maior templo católico do mundo), aceitara publicar um livro inteiramente favorável à Astrologia.
É sabido que a Igreja Católica interdita por inteiro a aproximação de seus fiéis com a Astrologia, não por ser superstição e, sim, por poder ser violação da fé. Mas em meu trabalho eu conseguira mostrar que a Astrologia pode ser estudada e praticada de modo ético e respeitoso por fieis de qualquer fé (e até por pessoas sem crença alguma), por ela não ser matéria de fé ou crença e, sim, de conhecimento e razão, e, por este motivo, poder ser utilizada de modo moralmente defensável ou não, conforme ao livre-arbítrio da pessoa e sua intenção.
Como a editora descreveu em seu site: “até onde se conhece, não há literatura que busque aproximar a Astrologia de pessoas de perfil religioso mais rigoroso, especialmente dentro do espectro de fé da Cristandade, em virtude da oposição formal da Igreja Católica a todo tipo de prática tida como divinatória – e a Astrologia é vista assim: apenas como forma de divinação. Neste amplo contexto, a proposta central do livro é expor que a Astrologia é um potente recurso de compreensão e descrição da realidade dos fenômenos, entre eles os mentais, antes do que só recurso de arte divinatória, assim como contextualizar aspectos morais e ou éticos associados à Astrologia, à luz de obras de teólogos e Doutores da Igreja como S. Agostinho, S. Alberto Magno e S. Tomás de Aquino”.
Dei como exemplo cabal o bispo dominicano S. Alberto Magno, que, no século 13, em uma obra sobre a Astrologia, Speculum Astronomiæ, desenvolvida a pedido do Papa Alexandre IV, afirmou que “as indicações celestes nada mais são senão a divina providência”.
Para ele, que foi professor de S. Tomás de Aquino na cidade alemã de Colônia, a Astrologia é a “a ciência do julgamento das estrelas, que estabelece a relação entre filosofia natural e metafísica”, sendo que “nenhuma ciência humana alcança esta ordenação do universo [tão] perfeitamente como a ciência dos julgamentos das estrelas o consegue”.
Mas por que S. Alberto Magno e muitos outros a consideraram assim?
E será que é de metafísica, mesmo, que a Astrologia sempre tratou?
(Uso metafísica, aqui, no sentido platônico e mais usual do termo, como referido a algo transcendente, acima da, ou anterior à, existência.)
Então, na esteira do que me pareceu ter sido ganho importante para a imagem pública da Astrologia, destinei-me a tentar abalar um outro importante paradigma: explicar porque a Astrologia é de fato efetiva, isto é, por que “funciona” e quais são suas causas naturais, não sendo crendice ou pseudociência – embora, como tudo na existência, possa ter falhas ao se exercer.

A autoridade do argumento, em vez do argumento da autoridade
Sem querer entrar no debate do que é ou não ciência, debate, este, que a meu ver não é o mais importante, já que a própria noção do que seja Ciência está em questão atualmente, um dia eu escrevera a um bom amigo: no começo “pouco me importava se a Astrologia seria considerada ciência, como se ser tida por ciência fosse ‘o grande barato’. O que sempre me importou foi tentar colaborar com a possibilidade de a Astrologia e as Ciências aproximarem seus caminhos de pesquisa e ensino, para beneficiarem mais e melhor as pessoas do que andando separadas. Ocorre que as Ciências, para estabelecerem um diálogo entre iguais, com equidade de valor identitário, requerem que o interlocutor também seja Ciência. Então, passou a muito me importar que a Astrologia viesse a ser tida como Ciência”.
Com isso em mente, desde 1988, ano de meu primeiro texto sobre o tema, pelejo por ajudar a Astrologia a conquistar credibilidade junto a campos da Ciência. Por ela, em todo esse tempo andei e publiquei por diversificados caminhos do saber, da Mitologia à Hermenêutica, da Filosofia à Semiótica, da Psicologia às Ciências da Religião, da Biologia Evolutiva à Física (Clássica e Quântica), buscando fortalecer a possibilidade desse reconhecimento.


Em todos os momentos, como empirista confiante, busquei seguir o que o astrônomo e matemático árabe Abu Hasan Ibn al-Haitham, tido como “o pai da óptica moderna”, afirmou em 1015 no seu Livro de Óptica: “O buscador da verdade não é aquele que estuda os escritos dos antigos e, seguindo sua disposição natural, deposita sua confiança neles, mas, sim, aquele que suspeita de sua fé neles e questiona o que recolhe deles, aquele que se submete ao argumento e demonstração e, não, aos ditos de um ser humano cuja natureza é repleta de todos os tipos de imperfeição e deficiência”.
Começando a ser vencida a barreira contra a aproximação de cristãos (e fieis de outra fés) com a Astrologia, já que, creio, meu livro foi só um passo em um longo caminho a percorrer, quis desenvolver um novo trabalho que satisfizesse um duplo objetivo: a) apresentar, para conhecimento, um modelo teórico coerente das causas naturais da efetividade da Astrologia, tornando possível superar a presunção da atuação de causas metafísicas, mas sem abrir mão da riqueza inestimável da simbologia astrológica; b) articular, de modo contextualizado na história, para facilitar e ampliar a compreensão, algumas das variadas e diferentes narrativas que tentam explicar, há milênios, esta efetividade: a mais anciã, a das “energias dos planetas”, e as mais recentes, como as de feitio mitológico, alguns conceitos semiológicos (que são fundamentais para a adequada interpretação), a noção de sincronicidade e certos postulados da contemporânea Física de Partículas (ou Quântica) e da Biologia evolutiva avançada.
Com tudo isso convergindo para a Psicologia, que tem sido o núcleo principal de meus interesses ao estudar e demonstrar a Astrologia.
Avanços neste sentido eu já dera em 2014, quando lancei Por uma Filosofia da Astrologia, e no próprio Astrologia e Cristianismo em diálogo eu já arriscara fazer uma apresentação preliminar do modelo teórico da Astrologia Arquetípica, razão pela qual também creio que este livro foi aceito para publicação, já que, além dos aspectos éticos e morais dentro dos valores cristãos, eu tratara daquilo que, como possíveis causas naturais, a meu ver faz com que a Astrologia de fato funcione e não seja somente opinião de alguns baseada em crenças de muitos.

Uma visão histórica multidisciplinar sobre a Astrologia
Não pretendi apresentar uma nova técnica astrológica, pois as existentes são mais que bastantes; quis, isto sim, situar o leitor em uma visão histórica que viesse desde os babilônios, Ptolomeu e os persas até às ciências contemporâneas mais avançadas, nos diferentes estágios da Astrologia Ocidental nesse longo percurso.


Além disso, quis contar como avancei passo a passo entre 1984 e 2018, tecendo teoria a teoria até conseguir desenvolver a minha própria hipótese, para que quem viesse a ler pudesse acompanhar minha trajetória e entendê-la melhor.
As bases de entendimento
§  1984 e o compromisso com a Astrologia
§  Não é de energia sideral que a Astrologia trata
§  A visão sistêmica, ou holística
§  Simbolismo com simultâneos significados
§  Arquétipos e imagens arquetípicas
§  A hipótese da sincronicidade
§  As Teorias de Campo
§  A estabilidade milenar do simbolismo astrológico
§  A hipótese dos campos morfogênicos
§  Casas Astrológicas, um calidoscópio de campos
Aspectos éticos e morais da Astrologia
§  Destinação, fé e livre-arbítrio
§  A Astrologia tem fundamento?
§  É ético adotar a Astrologia?
O desenvolvimento futuro
§  Autoconhecimento para aperfeiçoamento íntimo
§  Uma meta-Astrologia
§  Olhando além da Astrologia
§  As Ciências e a Astrologia
Ao final do que escrevi e apresentarei na Astrológica 2019, que intitulei Astrologia em Diálogo com a Ciência e a Fé, eu precisei certificar-me de que, no afã de conceituar o modelo da Astrologia Arquetípica, eu não tivesse cometido impropriedades lógicas ou de informação, pois trafegara por campos de conhecimento em que não tenho preparo formal, como Biologia evolutiva e Física, seja a Clássica, seja a de Partículas (ou Quântica), apropriando-as de um modo acessível ao leigo como eu.
É que eu costumo fazer força por não esquecer o que René Descartes escreveu no Discurso do Método, de 1637: “pode ser que me engane e talvez não passe de um pouco de cobre e de vidro o que tomo por ouro e diamantes [pois] sei o quanto estamos sujeitos a nos enganar naquilo que nos diz respeito”.
Daí, solicitei a um acadêmico que lesse criticamente o meu trabalho.
Eu não o via desde o começo dos anos 2000, era pessoa sem convívio algum com a Astrologia e, para o que eu necessitava, era alguém bem especial: Doutor em Biologia, com longa vivência na orientação de trabalhos de Iniciação Científica, de Mestres e de Doutores, havia sido Secretário Geral da Reitoria de importante Universidade pública brasileira e tinha preparo e segura experiência em avaliar a integridade expositiva de estudos que se propusessem a mesclar informações e conceitos provindos de campos variados da Ciência e convergentes para uma hipótese unificada, o que era exatamente o meu propósito.
Salvo algumas mínimas sugestões de melhoria na precisão expressiva do que eu havia escrito, visando aperfeiçoar as declarações de conhecimento que eu fazia, ele aprovou com entusiasmo o meu trabalho e se disse “fascinado” (a expressão foi dele, em um e-mail) pelo novo enfoque da Astrologia que eu pudera apresentar.
Como me escreveu: “considero esta obra sua um divisor de águas daquilo que vem sendo construído historicamente a partir das suposições e crenças de muitos autores, de pensadores e de práticos em Astrologia. Além disso, a sua obra aloja em seu bojo o papel de sugerir um lugar de respeito à Astrologia, senão como Ciência neste primeiro momento, então, como uma metodologia de imprescindível apoio às demais áreas de conhecimento”.

A consolidação de uma hipótese
Desculpem-me se parece elogio em boca própria, mas até para mim mesmo foi fascinante constatar que Carl Jung, nos anos finais de sua vida, evoluiu juntamente com o físico e Prêmio Nobel Wolfgang Pauli no entendimento dos arquétipos como fatores ativos determinantes do que ocorre tanto na mente quanto na existência objetiva, extramental, em uma conceituação muito próxima do que seria a noção de campos morfogênicos, do biólogo Rupert Sheldrake, como analiso e exponho em meu trabalho, correlacionando-os (os arquétipos e os campos) à Astrologia.
Wolfgang Pauli escrevera ao físico austríaco Marcus Fierz em 1948: “os fatores de ordenação devem ser considerados além da distinção de ‘físico’ e ‘psíquico’ [...] Sou muito a favor de chamar esses arquétipos de ‘fatores ordenadores’, mas seria inadmissível defini-los como conteúdos [exclusivos] da psique. Em vez disso, as imagens internas são manifestações psíquicas dos arquétipos, que, no entanto, também teriam que criar, produzir, causar tudo no mundo material que acontece de acordo com as leis da natureza. As leis do mundo material se refeririam, portanto, às manifestações físicas dos arquétipos [...] Cada lei natural deveria, então, ter uma correspondência interna e vice-versa, mesmo que isso nem sempre seja plenamente visível hoje”.
Ou, como Jung viria a afirmar em correspondência trocada com Pauli em 1953, “a característica peculiar do arquétipo é que ele se manifesta não apenas psíquico-subjetivamente, mas também físico-objetivamente; em outras palavras, é possível que venha a ser provado ser uma ocorrência interna psíquica e também externa física”.
Isto me assegurou, mais ainda, do que a mim já parecia em 2013, quando passei a adotar a expressão “Astrologia Arquetípica” para teorizar sobre a Astrologia em Astrologia Arquetípica, autoconhecimento e espiritualidade. Era disso o que desde sempre se tratou, embora na linguagem e com os saberes de cada época e região: o conjunto dos efeitos padronizados de arquétipos imateriais que atuam sobre a existência manifestada, seja em pessoa, coisa ou evento, denotados (os efeitos-padrão e, não, os arquétipos!) pelo simbolismo astrológico.
A mágica nunca esteve nas estrelas: a mágica sempre esteve na mente humana, que conseguiu retratar a realidade em símbolos, tendo por baliza para estabelecer parâmetros a regularidade estável e perene do que se observava no céu. E, se houve metafísica na Astrologia, ela não foi em momento algum no cosmo, mas na mente humana, que parece ser ultra-natural, já que existe à imagem de Deus.
É importante um registro.
A despeito de que Astrologia em Diálogo com a Ciência e a Fé é pleno de trechos de obras junguianas, sempre com citações dos próprios textos dele e, não, somente, com ressignificações de sua obra, como é o mais comum mas interpreta e por vezes até foge ao que de fato ele escreveu, lembro o que o próprio Jung afirmou em uma carta pessoal de 1949, “só espero e desejo que ninguém se torne ‘junguiano’. Eu não represento nenhuma doutrina, mas descrevo fatos e apresento certos pontos de vista que julgo merecedores de discussão [...] Não advogo nenhuma doutrina pronta e fechada e abomino ‘partidários cegos’. Deixo a cada um a liberdade de lidar a seu modo com os fatos, pois eu também tomo esta liberdade para mim”.
É exatamente assim que eu penso.


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